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O quarteto da alta-costura

Givenchy, Chanel, Gaultier e Dior são as casas responsáveis, de acordo com a crítica, pelos desfiles mais memoráveis da recente semana de alta-costura de Paris. Dedicada à primavera-verão 2018, a passerelle encheu-se de flores, uma diretora criativa desabrochou e uma coleção foi um ramo de tributo.

Se, entre tantas mudanças feitas ao calendário tradicional, o pronto-a-vestir tem vindo a esbater os contornos que outrora o definiam, a alta-costura continua a cumprir. Ainda que alguns veteranos tenham desfilado propostas cada vez mais próximas da realidade e afastadas do mundo dos sonhos, o efeito surpresa nunca abandonou Paris.

A novidade

A designer Clare Waight Keller foi a responsável por uma estreia e por um regresso. A nova diretora criativa da Givenchy (que substituiu Riccardo Tisci) estreou-se na alta-costura e assinalou o regresso da marca ao calendário, depois de uma ausência de 8 anos. Como se não bastasse, Clare Waight Keller apresentou ainda uma grande novidade em passerelle, a alta-costura no masculino.

Givenchy

O alinhamento teve uma aura sombria e romântica, que respeitou os pilares da casa. A coleção, batizada “Night Visions”, concentrou a atenção na silhueta, marcada na cintura e rematada em volume – nas saias, mas, também, nas calças, que se renderam ao corte palazzo. Alguns dos coordenados jogaram com as estruturas, num cruzamento de materiais que incluiu rendas, plumas e metais. Na paleta, o preto e o branco reinaram, intersetados pelo rosa.

«Foi ótimo trabalhar com um novo vocabulário de materiais, texturas e bordados intrincados», reconheceu Clare Waight Keller nos bastidores.

As propostas para homem foram conduzidas por uma estética rock ‘n’ roll, talvez demasiado terrena para a mulher iluminada pelo brilho lunar mostrada na mesma passerelle, mas não deixaram de surpreender os críticos.

O jardim

Considerado um dos desfiles mais aguardados da semana de alta-costura, para a primavera-verão 2018, a Chanel deixou a comunidade moda contemplar o seu jardim. Os labirintos, as fontes e milhares de rosas deram uma nova vida ao Grand Palais.

Chanel

O clã de modelos desfilou numa passerelle de terra batida, sem perder a ligação com as flores, com véus cobertos de delicadas orquídeas e peónias.

Na abertura do desfile, as modelos embainharam o intemporal fato de tweed da Chanel, que se alongou no comprimento e ganhou ombros. Saias de pétalas, túnicas com microflores e vestidos ​que brotaram em passerelle remataram o desfile com o devido dramatismo.

O diretor criativo da casa, Karl Lagerfeld, ofereceu ainda à assistência – cerca de 600 pessoas – uma versão revisitada do Little Black Dress.

O tributo

Pierre Cardin sentou-se na primeira fila do mais recente desfile de alta-costura da Jean-Gaultier, não lhe tivesse a coleção sido dedicada pelo seu antigo assistente, Jean-Paul Gaultier. Durante o desfile, uma projeção de imagens lembrou diferentes épocas de Cardin, do futurismo aos estilos pop star e psicadélicos dos anos 1960.

Jean Paul Gaultier

«Considero normal homenagear um designer que abriu tantas portas a todos nós. A liberdade e criatividade que representa… Cardin mudou a história da moda», elogiou Gaultier.

Jean-Paul Gaultier deu início ao desfile com vestidos holográficos, em redemoinhos de preto e branco, aos quais se seguiram os fatos vibrantes.

O baile

O desfile, ou antes, o baile de máscaras da Dior, encenado no Museu Rodin, evocou o feminismo e o surrealismo numa paleta salpicada de preto e branco.

Dior

Uma das inspirações foi a forma como Leonor Fini, artista argentina do século XX, utilizava roupas e acessórios para definir a sua identidade. Outra foram as palavras do francês Andre Breton, fundador do movimento surrealista, que surgiram em tatuagens no corpo das modelos. As tatuagens são temporárias, podem ser usadas como acessórios, e são o próximo objeto de cobiça das amantes de moda.

As máscaras e a maquilhagem das modelos continuaram a narrativa escrita pela diretora criativa da casa, Maria Grazia Chiuri, que assumiu o papel em 2016 e foi a primeira mulher a fazê-lo em mais de 70 anos de história da Dior.

Numa altura marcada pelos movimentos ativistas #MeToo e #TimesUp, a coleção de alta-costura da Dior voltou a chamar a atenção para os laços que unem a moda e a política.