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O que falta Miguel Vieira fazer?

Vestuário de homem e de senhora, joias, calçado, marroquinaria, mobiliário, óculos, criança, underwear... A marca Miguel Vieira já invadiu todos estes segmentos. O próximo passo? Perfumes e maquilhagem.

Miguel Vieira é sinónimo de sucesso, dentro e fora de portas. Entre outros reconhecimentos, o designer foi já distinguido com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique (2006) e recebeu o Prémio Infante D. Henrique na categoria de inovação (2009), galardões que junta aos Globos de Ouro de Melhor Estilista dos anos de 2007 e 2012.  São Paulo, Istambul, Paris, Barcelona, Uruguai, Lisboa, Lodz, Madrid e Milão montaram já passerelles para a sua marca desfilar.

Na passada sexta-feira regressou ao Portugal Fashion, onde se deixou invadir pela cor, fugindo do preto e branco que o caracterizavam (ver Portugal Fashion entre estreias e regressos). A celebrar 30 anos de carreira, o criador de moda congratulou-se por «não depender de ninguém». «Carteiras, cintos, óculos, sapatos … é tudo nosso. Não vamos buscar outras marcas para os desfiles», afirmou ao Portugal Têxtil. Se já passou pelo calçado (ver Miguel Vieira estreia-se na GDS) e até pela decoração (ver A Casa de Miguel Vieira), Miguel Vieira ainda perspetiva o futuro com ambição. O designer revelou estar «a trabalhar» numa marca de cosmética, bem como no lançamento de um perfume. «Estou a trabalhar nisso. [A cosmética] é um negócio de uma dimensão muitíssimo grande. Tem que ser um negócio à escala internacional. Não posso pensar só em Portugal», admitiu.

Se em 2012 o «Perfume» de Miguel Vieira chegou ao Brasil (ver Miguel Vieira perfuma Brasil), ainda não há datas para o lançamento do perfume, que «talvez não possa ser produzido em Portugal». «O último produto que nos falta é o perfume. Depende da dimensão que queremos dar ao perfume. Estamos a negociar, a descobrir fornecedores. Se calhar vai ter que ser em Omã ou em Bahrain», adiantou.

À frente da Dolce & Gabanna

A coleção para a primavera/verão 2019 assinada pelo criador de moda chegou agora à passerelle nacional depois de ter passado pela Semana da Moda de Milão, na edição dedicada ao vestuário masculino, em junho último. O criador revelou, no Porto, o resto da coleção com os coordenados femininos. Ao Portugal Têxtil, Miguel Vieira revelou que obteve uma pontuação de 81% no ‘The Impression’, site que concede classificação em alguns desfiles mundiais, desde Nova Iorque até Paris e Milão. Neste último, a classificação do designer ficou acima de marcas como Dolce & Gabanna ou Z de Zegna. «Ficamos à frente destas marcas todas e Portugal não sabe disso, infelizmente», lamentou.

Atualmente, a exportação representa cerca de 80% do volume de negócios da marca Miguel Vieira. «Toda a vida vendemos em termos internacionais. O mercado nacional é muito pequeno. Mas isso é verdade para muitos países. Um designer não pode estar focado no seu próprio país, como os franceses ou os italianos», explicou. «Não temos um país onde vendemos mais. Nas feiras, aparecem clientes de todo do mundo», afirmou.