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O que traz 2019? – Parte 2

Em ano de eleições europeias e legislativas em Portugal, é o Brexit o principal ponto de interrogação em termos políticos. A menos de três meses do prazo estipulado, que termina a 29 de março, pouco ou nada se sabe sobre as condições que vão reger a saída do Reino Unido da UE.

Se na economia há uma enorme incerteza sobre a evolução dos principais mercados, especialmente os europeus, como se referiu na primeira parte deste artigo, na política as certezas também não são muitas.

A União Europeia irá a votos de 23 a 26 de maio (em Portugal, será a 26 de maio) para escolher o novo Parlamento Europeu. Meses mais tarde, a 6 de outubro, é a vez dos portugueses irem às urnas e decidirem quem os representará no Parlamento, numa votação que pode trazer a continuidade ou uma mudança do Governo. Em dezembro, uma sondagem da Aximage para o Negócios dava conta de que a intenção de voto no PS era de 37,7% e no PSD 24,1%. CDS (9,4%), Bloco de Esquerda (8,8%) e CDU (7,2%) representam, por ordem descendente, os restantes partidos mais representados.

Uma sombra chamada Brexit

O tema que vai abalar Portugal e a Europa será, contudo, o Brexit. A saída do Reino Unido da União Europeia tem dado que falar nos últimos dois anos, mas com a aproximação do prazo limite – às 23 horas de 29 de março de 2019 – para o estabelecimento de um acordo antes da saída são mais as dúvidas do que as certezas. Depois de 52% dos britânicos terem decidido no referendo de junho de 2016 a saída do Reino Unido, a UE e o governo liderado por Theresa May chegaram a um acordo em novembro que, no entanto, ainda não foi ratificado pelo Parlamento britânico. A votação para a aprovação, ou não, estava agendada para 11 de dezembro, mas a primeira-ministra britânica decidiu adiar devido à elevada probabilidade do acordo ser chumbado.

Há, contudo, cada vez mais dúvidas sobre se este acordo será alguma vez aprovado. E há mesmo quem levante a hipótese de um novo referendo ou de uma saída “dura” do Reino Unido, sem qualquer acordo. «Há uma possibilidade considerável de o Reino Unido sair sem acordo, um resultado muito mau. Há a possibilidade de Theresa May conseguir a maioria no parlamento, mas será com um parlamento muito insatisfeito com o acordo, tanto os que defendem a permanência como os que defendem a saída. E a perspetiva de, afinal, ficarem [na UE] é provavelmente a melhor de todas as más opções, mas também não é boa», explicou Joseph Weiler, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Nova Iorque e ex-diretor do Instituto Europeu de Florença, em entrevista à Lusa.

Impacto em Portugal

Um estudo promovido pela CIP – Confederação Empresarial de Portugal e realizado pelos especialistas da Ernst & Young – Augusto Mateus & Associados, conclui que no cenário mais otimista, o Brexit terá um efeito negativo de 15% nas exportações portuguesas para o Reino Unido. As perdas potenciais poderão, no entanto, chegar aos 26%, num cenário mais negativo, em que não exista qualquer acordo entre o Reino Unido e a União Europeia. No total, é estimado um impacto negativo entre 0,5% e 1% no PIB nacional.

Até uma definição da situação, que deverá acontecer no primeiro trimestre de 2019, a solução para as empresas é, como sublinhou Alice Rodrigues, diretora de serviços do comércio internacional da Direção-Geral das Atividades Económicas, durante o seminário “Brexit: oportunidades e desafios para a fileira moda”, promovido pela Aicep em outubro último, «estarem preparadas para o pior. Se não acontecer, fica tudo na mesma. É olhar para os vários cenários e tentar estar preparado».

Na terceira parte deste artigo serão analisadas as previsões para a evolução das matérias-primas.