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O que traz 2019? – Parte 1

Instabilidade económica, agitação social e política e mudanças no consumo são algumas das tendências que se perfilam no horizonte dos próximos 12 meses. Um ano que se adivinha desafiante mas também de onde poderão advir oportunidades de negócio para a ITV portuguesa.

A passagem do ano propicia balanços e projeções para o futuro próximo e o fim de 2018 e a chegada de 2019 não é exceção. Economia, política, matérias-primas, sourcing, produção e consumo são algumas das áreas onde são esperadas mudanças, antecipadas na edição de dezembro do Jornal Têxtil.

Instabilidade afeta mercados

A agitação económica de 2018 deverá ter continuidade em 2019. A instabilidade política e comercial terá efeitos na economia portuguesa, que poderá, contudo, beneficiar do novo acordo com o Japão.

No final do ano, o Banco de Portugal reviu em baixa as previsões de crescimento para os próximos anos, apontando para um crescimento da economia nacional em 2019 de 1,8%, abaixo das projeções do Governo, que no Orçamento de Estado antecipa um aumento de 2,2%.

As previsões económicas foram alteradas por uma deterioração das condições de economias internacionais, nomeadamente do bloco europeu, e consequente abrandamento das exportações. O PIB da Alemanha, por exemplo, registou uma contração de 0,2% no terceiro trimestre de 2018 em comparação com o período anterior, o que encerrou uma série de 16 trimestres consecutivos de crescimento. Em França, o crescimento do PIB no terceiro trimestre foi revisto em baixa, para um aumento de 0,3% – um valor que ainda não reflete os prejuízos causados pelos protestos dos “coletes amarelos”, cujo impacto se deverá sentir em 2019. Já em Espanha, o principal parceiro comercial de Portugal, as previsões de crescimento do Banco de Espanha para 2018 foram revistas em baixa para 2,5%, mantendo-se a expectativa de que, em 2019, a economia espanhola some mais 2,4%.

Batalha pela hegemonia económica

A guerra comercial entre os EUA e a China marcou 2018 e, acredita Richard McGuire, diretor de estratégia de taxas em Londres da multinacional bancária de origem holandesa Rabobank, «não é um tema político passageiro, é uma batalha pela hegemonia económica do século XXI», pelo que «só tende a piorar», afirmou em entrevista ao jornal português Observador. Em relação à indústria têxtil e vestuário, os números para o mercado americano são animadores, pelo menos do lado das empresas, com um crescimento mais rápido do que o previsto nas receitas e lucros. Segundo um relatório da Moody’s, o crescimento deste sector «deverá manter-se robusto ao longo dos próximos 12 a 18 meses».

Acordos prometem benefícios

No que diz respeito à ITV portuguesa, até outubro, as exportações registaram uma subida de 2,4%, para 4,48 mil milhões de euros. Apesar da queda nos envios para Espanha, as empresas nacionais têm sido capazes de diversificar os mercados e compensar com maiores vendas a Itália, Holanda, França e EUA.

O comércio internacional deverá ainda continuar a beneficiar do acordo de comércio livre entre a UE e o Canadá, que no espaço de um ano (o acordo começou a ser aplicado de forma provisória a 21 de setembro de 2017) terá permitido aumentar em 11% as exportações da indústria de vestuário da UE, e do recentemente firmado acordo entre a UE e o Japão, que entrará em vigor a 1 de fevereiro de 2019. Segundo os números avançados pela Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, Portugal exporta 146 milhões de euros para o Japão, através de 945 empresas. Com este acordo, os atuais direitos no vestuário (máximo de 12,8%) e de têxteis-lar (máximo de 10,9%) passarão para 0%.

Na segunda parte deste artigo serão abordadas as alterações políticas esperadas, uma área que deverá ser dominada pelo Brexit.