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O que traz 2019? – Parte 3

Em 2019, as matérias-primas têxteis deverão sentir alguma pressão. A produção de algodão deverá diminuir e a falta de lã deverá fazer subir os preços. Mas as opções de origem animal estarão sob escrutínio por parte de marcas e consumidores e a sustentabilidade será um ponto obrigatório.

2019 será um ano marcado pela instabilidade, tanto a nível económico como político, como se referiu nas partes anteriores deste artigo. Nas matérias-primas, o clima não é muito diferente. A maior procura e a menor produção serão fatores que irão fazer subir, em muitos casos, os preços das fibras, nomeadamente as naturais, como o algodão e a lã.

Algodão

De acordo com a mais recente projeção do International Cotton Advisory Committee (ICAC), pela primeira vez desde 2015/2016, a produção mundial de algodão deverá diminuir em 2018/2019. Os aumentos antecipados para a China, Brasil, África Ocidental, Turquia e Uzbequistão não deverão ser suficientes para compensar as quedas nos EUA, Índia, Austrália e Paquistão. O consumo da fibra também deverá cair, para 26,7 milhões de toneladas (em comparação com 26,8 milhões de toneladas em 2017/2018).

Já na lã, a maior procura por produtos de lã fina e um menor interesse por tecidos laneiros pesados junto dos compradores chineses fez disparar os preços da fibra, com repercussões nas exportações desta matéria-prima na Nova Zelândia. As previsões apontam para que as exportações de lã se mantenham nas 100 mil toneladas por ano, ao longo dos próximos cinco anos, o que representa um decréscimo de 30% do valor do início do século.

Segundo Bruce McLeish, diretor da Elders, uma empresa da Austrália – o país que é o maior exportador de lã do mundo e que nos últimos meses tem sido afetado pela seca –, «o mercado da lã parece ter sobrevivido à tempestade até agora, tendo lidado com a sua própria correção de preços e diminuição da procura que se segue inevitavelmente a um pico de preços deste tipo, A procura subjacente, que ainda existe, juntamente com a restrição da oferta que deverá continuar nos próximos 12 a 18 meses, deve levar a uma continuação da recuperação dos preços no primeiro semestre de 2019», aponta num artigo publicado na Queensland Country Life.

Sustentabilidade em toda a linha

As matérias-primas de origem animal estarão, contudo, sob fogo no próximo ano. Retalhistas como a Zara, Asos, H&M e Gap assumiram o compromisso, juntamente com dezenas de outras empresas, de deixar de usar mohair nas suas coleções, depois do grupo de defesa dos direitos dos animais PETA ter publicado um vídeo filmado em 12 quintas na África do Sul – a maior produtora mundial da fibra, com uma indústria avaliada em cerca de 100 milhões de euros – a mostrar maus tratos às cabras.

A sustentabilidade, de resto, é um tema forte que já não pode ser ignorado e, no campo das fibras, o WGSN aponta que «à medida que a população e o consumo atingem novos níveis, torna-se essencial encontrar sistemas alternativos para a produção de fibras, uma área onde a reciclagem têxtil se destaca». Até porque, «a prioridade para a utilização da terra será a produção de alimentos. Com menos espaço para cultivar fibras, é necessário reinventar as fibras naturais existentes no final da sua utilização». O mesmo acontece para as fibras sintéticas, com a utilização em crescendo de poliéster reciclado.