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O que traz 2019? – Parte 4

O aprovisionamento de proximidade continua a dar que falar, mas o preço ainda vai ditar quem serão os fornecedores das marcas e retalhistas de moda ocidentais. México e Turquia são dois dos países em destaque pela adjacência aos EUA e à Europa, mas África também poderá ter uma palavra a dizer.

À medida que entramos em 2019, as questões económicas, políticas e de matérias-primas começam a dar sinais de mudança, antevendo-se, em alguns casos, praticamente uma revolução. No sourcing, contudo, as previsões apontam para que não hajam grandes alterações, mantendo-se a evolução da tendência que tem sido sentida nos últimos anos.

Proximidade ganha terreno

Segundo o relatório da consultora McKinsey & Company “Is Apparel Manufacturing Coming Home?”, o aumento dos custos na China e a necessidade de as marcas de moda apresentarem produtos mais rápido do que nunca estão a fazer com que haja um maior custo/benefício para as marcas ocidentais produzirem as suas roupas em países de baixo custo mais próximos. Para marcas que vendem nos EUA o destino poderá ser o México, enquanto a Turquia emergiu como um destino fundamental para as marcas que vendem na Europa.

A consultora calculou o custo de produzir uns jeans básicos e importá-los, para os EUA ou para a Alemanha, fabricando-os e expedindo-os da China, como termo de comparação. Para fazer o mesmo par de jeans no México e importá-lo para os EUA custaria menos 12%. Para uma empresa que queira importar os seus jeans para a Alemanha, a Turquia seria 3% mais barata do que a China. Embora estas não sejam as opções mais económicas – produzir no Bangladesh custa menos 20% do que na China –, a Turquia e o México apresentam a vantagem de terem tempos mais curtos de produção, de apenas uns dias, em comparação com um mês inteiro, se a marca produzir na China ou no Bangladesh, aponta o estudo da McKinsey.

Aumento de custos promove diversificação

Vários fatores estão a obrigar as marcas de vestuário e calçado a olhar para fora da China e para mais próximo de casa para deslocar a produção. Além da guerra comercial entre os EUA e a China, há ainda a questão do aumento dos custos com a mão de obra, não só na China mas em vários países asiáticos que, até agora, serviram de centro de produção para a indústria da moda.

No Vietname, que tem sido apontado como o maior beneficiário da guerra comercial entre os dois gigantes, o Conselho Nacional Salarial do Vietname propôs subir o salário mínimo em 5,3% em 2019, o que significa um aumento mensal entre 7 a 9 dólares (entre 6 a 8 euros). No Bangladesh, um acordo firmado em setembro previa um aumento dos 5.300 takas para 8.000 takas (cerca de 82 euros) do salário mínimo, que, contudo, ainda não entrou em vigor. E no Camboja o salário mínimo mensal subiu 7%, para cerca de 158 euros.

Etiópia em ascensão

Há ainda a ascensão dos países africanos enquanto centros de produção. A Etiópia tem vindo, nos últimos anos, a assumir algum protagonismo, graças a investimentos internacionais. A PVH Corp, por exemplo, criou uma unidade de produção de vestuário vertical e sustentável em Hawassa, na Etiópia, antevendo-se que o Parque Industrial de Hawassa receba outras empresas nos próximos anos.

Na quinta parte deste artigo serão abordadas as tendências para a produção na indústria têxtil e vestuário em 2019.