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O que traz 2019? – Parte 5

A automatização, a indústria 4.0 e a customização em massa são alguns dos conceitos que estão a mudar a indústria, numa tendência que se irá disseminar também em 2019. A produção de vestuário completamente realizada por robôs parece, contudo, ainda distante.

Nesta série de artigos, têm sido analisadas as mudanças que 2019 poderá trazer em áreas como a economia, a política, as matérias-primas e o sourcing. No caso da produção, a indústria 4.0 continua a ser o tema forte.

A tendência não é propriamente nova, mas a automatização da indústria tem vindo a acelerar-se e nos próximos 12 meses dever-se-á assistir a novos desenvolvimentos.

Com a escassez de mão de obra qualificada, a produção com recurso a robôs e processos digitalmente integrados está a ganhar força. «A automação e a análise de dados permitiram que uma nova geração de start-ups adotasse ciclos de produção ágeis feitos à medida. Os players do mercado de massas vão seguir-se, tentando responder mais rapidamente às tendências e às exigências dos consumidores», indica a McKinsey & Company, no relatório “The State of Fashion 2019”.

Além de possibilitar uma resposta mais rápida às encomendas, a automatização permite também a produção de séries mais pequenas e a redução do desperdício, facilitando a adoção dos princípios da economia circular desde a fase produtiva.

«A pressão para lotes mais pequenos e reposições a pedido é impulsionada, em parte, pela rentabilidade, mas também por um desejo de sustentabilidade», aponta o relatório da consultora, que adianta que «as marcas e retalhistas de vestuário do mercado de massas não podem ser bem sucedidos na próxima década sem se transformarem num modelo focado na procura. As empresas de vestuário estão a otimizar e a digitalizar os seus processos e a repensar a sua logística. Uma nova estratégia é otimizar o modelo de produção de vestuário, incluindo elementos como o nearshoring, novos modelos automáticos de entrega à volta da customização e mudanças para cadeias de valor sustentáveis e circulares», aponta a McKinsey.

Robôs ainda longe

Até agora, a indústria da moda tem ficado para trás na automação, devido em parte à renitência dos produtores e das próprias marcas, mas também pela dificuldade em desenvolver máquinas capazes de, por exemplo, confecionar uma peça de vestuário – só recentemente é que soluções completamente automatizadas começaram a chegar ao mercado. «Mas agora, com a produção à medida a ganhar importância e a tecnologia a desenvolver-se, a automação está a tornar-se mais relevante para os players americanos e europeus», afirma a McKinsey, que adianta que dentro de cinco anos teremos fábricas semiautomáticas, em cinco a 10 anos os fornecedores com fábricas completamente automatizadas poderão permitir o regresso da produção aos mercados de consumo e que silhuetas mais complexas já poderão ser realizadas de forma semiautomática dentro de uma década.

Na sexta e última parte deste artigo, será analisada a evolução do consumidor e o que este espera da indústria da moda.