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O regresso da Bally

A produtora suíça de artigos de couro, que desde há muito tempo se debate com a fragilidade do seu desempenho, retomou o crescimento após anos de estagnação das suas vendas, impulsionado por modelos mais contemporâneos e uma sólida procura de compradores japoneses e norte-americanos.

Bally18Junho015Frédéric de Narp, CEO da Bally, revelou que pretende elevar as vendas anuais da Bally para mil milhão de euros nos próximos 5 a 10 anos, superando o atual valor de 400 milhões de euros. A centenária empresa, uma das maiores fabricantes de calçado da Europa antes da Primeira Guerra Mundial, careceu de uma orientação estratégica clara nos últimos anos, afirmam diversas entidades da indústria. Entre 2008 e 2010, o então designer Brian Atwood, lançou um modelo de sapatos de senhora perigosamente altos, afastando-se das raízes conservadoras e clássicas que pautam a indústria suíça e descaracterizando a essência da marca.

Nesse momento, Michael Herz e Graeme Fidler, que abandonaram a casa há dois anos, lançaram coleções de estilo retro, inspiradas nos anos de 1930, que procuravam retomar a imagem minimalista e sóbria da Bally. Frédéric de Narp, que assumiu a liderança da casa há 18 meses, refere que Pablo Coppola, o designer escolhido, privilegia um estilo elegante, em sintonia com as tendências da moda atual. Coppola trabalhou anteriormente para a Dior, Tom Ford e Céline. «A Bally tem uma herança fantástica, a única coisa que devemos fazer é explorá-la bem», afirma o CEO, que colaborou anteriormente com os joalheiros Cartier e Harry Winston.

A empresa de capital privado foca a sua atividade, principalmente, na venda de sapatos e bolsas, contando-se entre os seus modelos mais populares a bolsa Sommet. Narp revelou que as vendas da Bally, estagnadas por mais de quatro anos, cresceram 3% em taxas de câmbio constantes desde Janeiro, em linha com o desempenho das rivais, como a italiana Salvatore Ferragamo. A empresa antecipa, agora, um crescimento anual de cerca de 5%. A Bally é rentável a um nível subjacente, ou em termos de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA), acrescentou Narp.

Crescimento japonês
O Japão tem sido um dos mercados de mais forte crescimento para a marca este ano, cujas vendas aumentaram 49% em taxas de câmbio constantes, a par dos EUA, onde as vendas subiram 7%. A Baly inaugurou a sua primeira flagship em 20 anos no passado mês de outubro, no centro de Londres, e planeia abrir mais nove ao longo dos próximos cinco anos, com a próxima a estrear-se em Los Angeles, já em novembro, e a seguinte em Tóquio, projetada para 2016. Narp quer duplicar os negócios da Bally nos EUA e no Japão ao longo dos próximos cinco anos.

No entanto, adverte que a retoma da Bally será um processo demorado, particularmente no ambiente difícil atual, enfrentando procura moderada na Europa e um crescimento económico mais lento na China. A Bally opera 60 lojas na Grande China, de onde provêm mais de metade das suas vendas, referiu Narp. Atualmente, um dos seus principais objetivos passa por transformar a imagem da marca, tornando-a mais atrativa para o segmento feminino, que corresponde a 30% dos clientes, pretendendo elevar essa representação a 50% nos próximos anos.

De forma a aumentar a visibilidade, a Bally contratou a supermodelo Freja Beha Erichsen, que já colaborou com as casas Chanel e Louis Vuitton e passará a integrar as campanhas publicitárias da marca de calçado e acessórios. O CEO referiu ainda que as vendas de produtos femininos, como bolsas, sapatos e outros pequenos artigos em couro, cresceram 15% em taxas de câmbio constantes desde o início do ano. A liderança criativa e de marketing da Bally tem agora sede em Londres, sendo mais fácil atrair talentos aí do que na Suíça, afirmou Narp. A luxemburguesa JAB Holdings adquiriu a Bally em 2008, anteriormente sob a alçada da empresa de capital privado TPG, um acordo que determinou a sua primeira incursão no sector da moda e do luxo. A JAB, uma sociedade de investimento que reúne mais de 39 mil milhões dólares de ativos, controla também a marca de moda Belstaff, o grupo de cosméticos nova-iorquino Coty e a marca de calçado Jimmy Choo, assim como o fabricante de café Jacobs Douwe Egberts.