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O renascer da procura em Engenharia Têxtil

Depois de um período menos positivo, os estudantes voltaram a olhar para a engenharia têxtil como uma profissão de futuro, com a licenciatura em ciências de engenharia – ramo têxtil e o mestrado integrado em engenharia têxtil a terem mais candidatos do que vagas.

Foram 163 os candidatos a querer preencher uma das 22 vagas disponibilizadas na primeira fase e hoje são cerca de 30 os alunos que frequentam o primeiro ano da licenciatura em ciências de engenharia – ramo têxtil e mestrado integrado em engenharia têxtil na Universidade do Minho, o único do país. «As vagas foram todas preenchidas, com a nota mínima na primeira fase de 15,06 – uma nota muito boa em relação a outros cursos», destaca, ao Jornal Têxtil (edição novembro 2017), a diretora do curso, Maria José Abreu. Significativamente, acrescenta, «mais de dois terços» colocaram o curso como primeira opção.

A comunicação realizada pela Universidade do Minho, nomeadamente pelo Departamento de Engenharia Têxtil (DET), e a recuperação da indústria são os principais “culpados” deste renascimento, aponta Maria José Abreu. «As ações que o departamento fomentou, juntamente com a Câmara Municipal de Guimarães, com a Associação Comercial e Industrial de Guimarães e outras associações mostraram, e continuam a mostrar, aos jovens e aos pais que o curso tem uma procura muito grande. Quase todas as semanas vê-se um artigo a dizer que há falta de engenheiros têxteis, que não há quadros qualificados. As pessoas vão ouvindo e o curso torna-se apelativo», indica.

Os novos alunos, tanto do primeiro como do segundo ano, estão já apenas a frequentar o curso em regime laboral, mas há cada vez mais pedidos para reingresso. «Aparecem agora muitos alunos que nunca acabaram o curso, por uma razão ou outra, que querem acabar. Uns já trabalhavam na área mas nunca acabaram o curso. Mantiveram sempre o mesmo emprego, na mesma empresa e nunca tiveram essa necessidade. Outros foram trabalhar noutras áreas. Tenho tido vários casos este ano e normalmente são alunos que estão entre os 40 e 50 anos», revela Maria José Abreu.

Com as reformas de Bolonha, o curso sofreu algumas adaptações. A carga horária letiva é de 20 horas, mas a ideia é que os alunos sejam cada vez mais autónomos e dediquem um igual número de horas a aprenderem sozinhos.

«Penso que uma coisa boa no mestrado integrado em engenharia têxtil é o projeto interdisciplinar. Em cada semestre há um projeto interdisciplinar no qual os alunos têm que integrar todos os conhecimentos. Por exemplo, têm que aplicar as análises, com as físicas, com os materiais e, portanto, sentem uma maior proximidade em relação ao “porque é que eu tenho que estudar agora matemática, física, complementos de análise ou termodinâmica?”. Agora realmente percebem que tudo tem utilidade, que tem uma aplicação prática», afirma a diretora. Além disso, «nos projetos, eles têm que procurar informação – nós não damos propriamente informação, damos ferramentas para eles procurarem a informação e aí nota-se que têm muita dificuldade porque não estão habituados a trabalhar de uma forma mais autónoma ou mais independente», refere. «Mas, por outro lado, são mais curiosos, querem saber e são até mais reivindicativos», admite.

Uma característica que se sente sobretudo nos dois anos após a licenciatura, durante o mestrado integrado. «Nos primeiros três anos tentamos dar toda a informação da cadeia têxtil e vestuário. No mestrado tentamos modernizar e aprofundar aquilo que existe, dar aos alunos um know-how mais atualizado», esclarece.

Com a indústria a solicitar cada vez mais engenheiros têxteis – «todas as semanas tenho e-mails de empresas a pedirem estagiários ou algum aluno recém-licenciado que queira fazer estágio profissional», adianta Maria José Abreu –, o número de novos engenheiros têxteis em Portugal deverá aumentar nos próximos anos. «Dentro de dois anos já podemos ter uns 15, dentro de quatro anos vamos ter cerca de 20. E daqui a cinco podemos ter o nosso pleno: 30 engenheiros. Mas temos que olhar para isto no médio prazo: daqui a quatro a cinco anos é que vamos começar a poder responder às solicitações da indústria», adverte, até porque, acredita, «destes novos alunos tenho a certeza que nenhum se vai ficar apenas pela licenciatura».