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O renascimento da Roménia

Há dez anos atrás, a Roménia era meramente uma entre uma dúzia de países da Europa Central e de Leste em luta pela subcontratação de encomendas europeias. Hoje, as suas exportações de vestuário para a União Europeia excederam as de muitos países da Comunidade, incluindo países como a Polónia, que era a principal exportadora do Leste da Europa até 1998, salienta um artigo do site Just-style.com. O renascimento da sua indústria de vestuário pode, em parte, ser atribuída à mudança da subcontratação pura para a exportação industrial. Em 2001, o total das exportações de vestuário da Roménia para a União Europeia alcançou os 3,3 mil milhões de euros (mais 28 por cento do que em 2000). Comparativamente, as exportações da Polónia situaram-se nos 1,9 mil milhões de euros e as da Hungria nos 1,1 mil milhões. Prevê-se que as exportações de vestuário da Roménia continuem a subir a um ritmo elevado durante os próximos anos. As estatísticas do comércio internacional da OMC para o período compreendido entre 1990 e 2001 deram uma ideia perfeita da rápida ascensão da Roménia como líder exportador de vestuário. Entre 1990 e 2001, as exportações de vestuário da Roménia aumentaram a uma média de 20 por cento ao ano (de 363 milhões de dólares em 1990 para 2,774 milhões em 2001). A quota de exportação de vestuário na Roménia, no que diz respeito ao total das exportações, subiu de 7,3 por cento em 1990 para 24,4 por cento em 2001. Um crescimento anual de 20 por cento nas exportações em 11 anos é realmente um feito notável, refere o Just-style. Durante o mesmo período (1990-2001), as exportações de vestuário chinesas alcançaram um crescimento médio anual de “apenas” 13 por cento, e as exportações de vestuário indonésias de 10 por cento. De facto, entre os intervenientes mundiais, apenas o México e o Bangladesh tiveram melhores resultados do que a Roménia, com um crescimento médio nas exportações de vestuário entre 1990-2001 de 27 e 21 por cento por ano, respectivamente. A Roménia não só superou os resultados dos quatro países de Visegrado (Polónia, República Checa, Hungria e Eslováquia), mas também os países do Báltico, os seus vizinhos Bulgária e Moldávia e os antigos países da República Soviética, a Bielorússia e Ucrânia. Isto porque, no que diz respeito aos países da Visegrado, passaram a ser muito caros. A empresa de consultoria alemã SECO – Sector Consulting (Frankfurt) fornece uma interessante comparação da média de preços de subcontratação simples em 31 dos maiores países exportadores de vestuário. Dietmar Stiel, economista e director da SECO Sector Consulting (que tinha uma subsidiária romena – Avanz Management – desde 1994), explica. «Um determinado número de países da União Europeia, como a Alemanha e Itália, negoceiam uma subcontratação pura com uma média de preços por minuto de 0,62 euros e 0,60 euros, respectivamente. Isto é muito mais do que as exigências dos seus colegas em Espanha (0,48 euros), Portugal (0,42 euros) e Grécia (0,38 euros). «No entanto, até os preços por minuto na Grécia são quatro vezes mais elevados do que os da Roménia (0,09 euros). Os preços de subcontratação da Roménia também batem facilmente os da Eslováquia (0,14 euros), Polónia (0,16 euros), Hungria e República Checa (ambos a 0,18 euros)». Assim, pode-se perguntar porque é que a Ucrânia e a Bielorússia, com os seus preços de apenas 0,06 euros por minuto, não atraem mais encomendas de subcontratação pura do que a Roménia? De acordo com Dietmar Stiel, isto é só uma questão de tempo. Durante o primeiro Congresso da Indústria de Têxtil e Vestuário do Sudoeste da Europa e Roménia, em Bucareste nos dias 21 e 22 de Novembro de 2002, Stiel avisou especialmente a assistência romena, que sem dúvida nenhuma um país mais barato, provavelmente a Ucrânia, irá derrubar a Roménia, tornando-se líder da Europa de Leste no que diz respeito à subcontratação pura, dentro de cinco a seis anos. É por isso que, na opinião de Stiel, os especialistas romenos da subcontratação pura, deveriam urgentemente começar a expandir os vários serviços que podem oferecer e a procurar novos tipos de clientes na UE. Encorajou-os a não se manterem presos à subcontratação pura, com condições de trabalho difíceis e preços baixos, apenas para benefício dos produtores e transformadores de países estrangeiros (especialmente União Europeia). Até porque eles não hesitarão em deixar a Roménia, assim que outro país qualquer, como a Ucrânia, possa oferecer condições básicas mais satisfatórias (lei e ordem, comunicação e infra-estruturas, uma rede de fornecimento local mais desenvolvida), juntamente com preços de subcontratação pura mais baixos. Assim, os especialistas romenos em subcontratação pura deveriam aprender a desenvolver as colecções básicas, e a procurar e pré-financiar materiais se quiserem aceitar o desafio de fornecer vestuário para grandes retalhistas, cadeias especializadas de vestuário e outros clientes que estão mais interessados em comprar vestuário e serviços do que meras produções de minutos. Entre os países da Comunidade Europeia, a Roménia não é apenas o maior exportador de vestuário subcontratado para a União Europeia, mas também o maior exportador “free on board”. Em 2001, os chamados “full imports” de vestuário de fio trançado atingiram os 941 milhões de euros, enquanto o vestuário de malha chegou aos 334 milhões de euros. Alguns dos antigos exportadores romenos de subcontratação pura percorreram um longo caminho desde o simples corte e confecção para clientes industriais, até à oferta de colecções pronto-a-vestir de retalhistas da União Europeia ou do resto do mundo. Um bom exemplo de uma empresa que passou com sucesso de subcontratado a exportador de moda é a Moda Tim, de Timisoara, na Roménia ocidental. Ovidiu Sandor, presidente e director-executivo da Moda Tim, que conta com 1100 empregados, afirmou que «hoje, somos parceiros comerciais de empresas como a Harrods, Dries Van Noten e Eugen Klein… Temos elevado continuamente o nosso “status” ao assumir responsabilidade – uma atitude que continua rara na Roménia pós-comunista – e ao investir grandes esforços nos nossos serviços.» Infelizmente, duas outras atitudes são muito típicas, tanto na Roménia como em outros países que estão em transição, que são a burocracia e a corrupção. O aumento do sucesso da exportação “free on Board” é um desenvolvimento importante, com consequências interessantes para os fornecedores locais e estrangeiros, de materiais e serviços. Wolfgang Limbert, coordenador do programa alemão IBD/GTZ para a indústria de têxtil e vestuário da Roménia, refere que 450 fornecedores de material e serviços, com uma média de 30 empregados cada, operam actualmente no mercado romeno. Uma empresa importante é a Coats Romania, que em 2001 investiu 1,3 milhões de dólares na produção de linha de coser na sua unidade de distribuição em Odorheia Secuiesc, na Roménia Central. A Coats Romania está actualmente a construir uma segunda fábrica, e o início da produção está marcada para Maio de 2003. Muitos outros fornecedores estrangeiros de matérias-primas para vestuário, tais como os membros do grupo alemão “Global Textile Center”, preferem as suas unidades de produção perto das fábricas da Coats. A indústria de vestuário romena está também a optar rapidamente pelos programas CAD-CAM. Em 1990 a indústria de têxtil e vestuário romena empregava 672 mil pessoas, das quais 258 mil trabalhavam no sector de vestuário. Desde então, o total da força de trabalho foi reduzida a metade, enquanto a proporção dos empregos de têxtil para o vestuário foi invertida. Actualmente, a indústria de vestuário tem o maior número de postos de trabalho, com 285 mil empregos contra os menos de 100 mil na indústria têxtil. O desenvolvimento da indústria de