Início Notícias Retalho

O retalho do futuro

Os retalhistas procuram aproximar os seus espaços físicos da versatilidade da prática online, implementando dispositivos tecnológicos que permitem estabelecer a ponte entre as experiências de compra tradicionais e as potencialidades do panorama digital.

Processed with VSCOcam with e5 preset

O prenúncio da morte da loja física tem sido deveras exagerado. Na verdade, apesar do crescimento dos gigantes de presença online exclusiva, os retalhistas físicos ainda detêm cerca de 94% a 97% do mercado, de acordo com a Harvard Business Review. Metade do segmento de comércio eletrónico está ainda na sua posse e muitos procuram novas formas de combinar a experiência de compras física e virtual através da implantação de tecnologias que potencializam o melhor de ambas.

Montras interativas da Bloomingdale’s
A loja principal da Bloomingdale’s em Manhattan procurou converter em clientes todos os transeuntes no último Dia do Pai, celebrado no terceiro domingo de junho nos Estados Unidos, com seis mntras interativas de vestuário Ralph Lauren. Os potenciais compradores puderam selecionar amostras de cores numa tela tátil, acessível a partir do exterior da loja, à face da rua. Essa mesma camisa colorida, gravata ou par de calças selecionados materializavam-se na montra.

Se gostassem do resultado, podiam escrever a mensagem “Polo”, que os encaminharia para a página de checkout. «Pretendíamos criar uma experiência interativa que os fizesse literalmente interromper o seu percurso com algo teatral e fascinante», explica David Lauren, vice-presidente executivo de publicidade global, marketing e comunicações corporativas da Ralph Lauren. A experiência teve, também, como objetivo evitar abrandar os compradores, que poderiam optar pela entrega em mãos das peças adquiridas, completando toda a compra de impulso sem nunca colocarem os pés na loja.

Rebecca Minkoff interativa
O espelho do provador da loja de Rebecca Minkoff, no SoHo nova-iorquino, funciona como um assistente de compras pessoal, convidando os clientes a refletir (em todos os sentidos da palavra) sobre qual o seu design de bolsas preferido. Um ecrã tátil sugere desenhos e cores alternativas. Os clientes podem folhear as suas opções, fazer uma compra ou até mesmo ajustar a iluminação ambiente. «Pode vir aqui e ser completamente anónimo ou pode usufruir de tratamento VIP», revela Minkoff. Os espelhos são alimentados por software de gestão de inventário do eBay. Os utilizadores podem ver exatamente o que a loja tem em stock, ao invés de solicitarem a um assistente que vasculhe entre o inventário em armazém.

Provador virtual da Samsung
O gigante tecnológico coreano anunciou, recentemente, um ecrã LED de 55 polegadas, que pode acrescentar acessórios e peças de vestuário virtuais à imagem do utilizador refletida no espelho, entre outros truques interativos. Os retalhistas podem, em seguida, estabelecer um “provador virtual” em qualquer centro comercial, atraindo os clientes a “provar” as joias e roupas sem que, para tal, tenham de mexer um dedo – bem, talvez um dedo, para selecionarem o item de interesse.

As câmaras tridimensionais fazem o resto, mapeando uma imagem flutuante para os contornos dos corpos dos compradores. O software de perceção de profundidade, desenvolvido pela Intel, ajuda a colocar o artigo virtual no local pretendido, «de forma a disponibilizar uma experiência de compra altamente diferenciadora, requintadamente personalizada», afirma José Avalos, diretor global de retalho visual do grupo Internet of Things da Intel Corporation. O retalho é apenas a plataforma de lançamento desta tecnologia. A Samsung prevê que o seu espelho inteligente seja um potencial substituto do espelho de vidro tradicional, presente em todos os espaços domésticos, cuja última renovação tecnológica remonta já a 1835.

Assistência pessoal no eBay
O eBay criou um aplicativo intitulado “Retail Associate Platform”, que monitoriza os hábitos de compras online dos clientes e fornece aos retalhistas um vasto conjunto de dados pessoais, assim que o cliente entra pela porta. Em consequência, os assistentes de vendas podem ter uma conversa estranhamente pessoal com os clientes, sabendo, por exemplo, que eles poderiam estar interessados numa mochila rosa, que combina perfeitamente com os novos sapatos de camurça também cor-de-rosa. «Se um cliente entra e não compra, o retalhista não tem sequer ideia de que ele existe», refere David Geisinger, diretor de estratégia de negócio de retalho do eBay. «Com esta nova tecnologia, os retalhistas serão capazes de reunir mais detalhes, que podem ajudá-los a entender o cliente e competir num panorama de comércio lotado», aponta.

Ecrãs imersivos da Microsoft
A Microsoft goza de uma vantagem natural quando se trata de implementar alta tecnologia nos seus espaços comerciais de retalho, mas estabeleceu uma fasquia particularmente elevada na montagem de uma parede de monitores LCD, que envolvem o espaço na sua totalidade. A solução requer um servidor especializado que sincroniza as imagens à medida que estas são exibidas através das telas, de forma que a sequência seja uniforme. O resultado é um fluxo atraente de informação que é tão incontornável como o painel de notícias de Times Square. «Não só a parede digital exibe belas imagens e proporciona um ambiente convidativo e uma experiência imersiva, mas serve também para comunicar ideias sobre como a tecnologia pode ser usada para realizar tarefas, anunciar novas formações e entreter os clientes, e inclui informação localizada, tal como meteorologia e eventos», enumera Florin Gale, diretor criativo das lojas Microsoft. «Nós até convidamos os clientes a jogar Xbox One nas paredes de vídeo da loja, que estão rodeadas de som direcional, que imerge os jogadores na experiência de jogo», acrescenta.

Às compras com Angry Birds
A Westfield Corporation revelou uma versão real do jogo de smartphone Angry Birds no seu centro comercial na cidade californiana de São Francisco, provando que, tanto quanto os retalhistas anseiam pela adesão à era digital, as empresas nascidas nesse mundo também querem conquistar um lugar no mundo real. O fabricante do jogo Rovio instalou uma cabine de jogos onde os compradores podem colocar os óculos de realidade virtual Samsung Gear VR e testar a sua pontaria no popular jogo, desta vez a três dimensões. A cabine integra apenas uma exibição experimental, uma das muitas planeadas pela Westfield Corporation, que pretende criar espaços de retalho inovadores. Mas é, simultaneamente, o sinal mais forte de que a linha que separa a experiência de compra online e offline poderá pertencer agora ao passado.