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O salto que marca o passo

A qualidade do produto, o investimento em campanhas publicitárias e uma tradição de excelência no sector dentro de portas são os principais ingredientes do sucesso. Mas não serão os únicos. A relação passional que desde cedo uniu a mulher ao sapato tem a sua quota-parte no êxito desta indústria. A história da vida privada de Versalhes lembra que, já no século XVIII, Maria Antonieta exibia uma coleção invejável de modelos. Christian Louboutin honrou a paixão da rainha numa coleção de 36 pares de sapatos batizada “Marie Antoinette”. As lições que escrevem a longa história da relação das mulheres com o cobiçado acessório não se esgotam em território francês e nem sempre se envolvem em glamour. Na China, as sapatilhas eram usadas pelas mulheres desde tenra idade. O seu tamanho limitado levava os pés a atrofiarem, o que resultava num caminhar curto e lento. Na Grécia Antiga, as cortesãs usavam sandálias com pequenas tachas presas às solas – o objetivo era marcar o solo para depois serem seguidas. Na Veneza do século XV, só as mulheres ricas e bem-sucedidas usavam salto alto. A sola da ribalta Vários foram os pares de sapatos que alcançaram o estrelato depois de calçarem pés famosos. O salto agulha ganhou uma conotação de volúpia depois de usado recorrentemente por Marilyn Monroe. A curvilínea que ainda hoje é uma ode à sensualidade feminina terá mesmo declarado: «não sei quem inventou o salto alto, mas todos os homens lhe devem muito». Também Audrey Hepburn levou as despretensiosas sapatilhas ao vórtice das tendências de moda. Desenhado por Salvatore Ferragamo, o modelo usado pela atriz entrou para a lista dos sapatos mais famosos do mundo. Já Catherine Deneuve imortalizou o modelo de sapatos pretos baixos, com fivela em prata (pilgrim shoes), no filme “Belle de Jour”. O modelo foi criado por Roger Vivier para a Yves Saint-Laurent, responsável pelo figurino. O espanhol Manolo Blahnik, um dos mais conceituados designers da atualidade, assistiu à moda e mania dos seus sapatos. A razão do surto deveu-se ao pequeno ecrã e à personagem Carrie em “Sex and the City”, interpretada por Sarah Jessica Parker. No seu closet não faltavam modelos Dior, Gucci ou Dolce & Gabbana, mas a verdadeira obsessão da colunista eram os seus “manolos”. Na vida real, Sara Jessica Parker deu continuidade à paixão da personagem com o lançamento de sua coleção de sapatos e com a recente parceria com a Tome de Ryan Lobo e Ramon Martin de Tome, numa linha de calçado por si desenhada. As tendências da estação Nas passerelles e nas campanhas das principais marcas já foram apresentadas as principais tendências, no que a calçado diz respeito, para a estação quente de 2015. Estas passam por sandálias estilo gladiador, em versões mais próximas do joelho ou mais chegadas ao tornozelo. Este modelo marcou as coleções da Chloé e da Valentino. Ainda próxima do chão, a tendência passa também pelos confortáveis ténis usados em versão atacadores ou, como apresenta a portuguesa Nobrand, em modelos slip-on. Mal subam as temperaturas, as sabrinas rasas e bicudas vão figurar nas prateleiras e nos pés. A subir estarão também as plataformas e compensações nas sandálias, tendência da Saint Laurent e da Prada. A inspiração futurista tomará conta do calçado em junções incomuns de cores e materiais. As propostas chegam assinadas por Alexander Wang, Fendi e Louis Vuitton. Os mules estarão também na moda, veja-se a coleção da Zilian com inspiração nos anos 70. Vão calçar em versões mais desportistas ou mais sofisticadas. A psicologia tenta explicar esta relação postulando que, desde criança, se estabelece uma relação próxima entre as meninas e os sapatos da mãe, numa tentativa de crescerem às pressas e de se tornarem mulheres. As explicações não se esgotam. Alguns sapatos, sim.