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O segredo está em diversificar

Para os primeiros quatro meses de 2008, os aprovisionamentos europeus de vestuÁrio permaneceram estÁveis em valor relativamente ao mesmo período do ano passado. A conclusão é do Institut Français de la Mode, que mostra que a acalmia do consumo, observada desde o início do ano, parece mecanicamente ter provocado um abrandamento das importações. Por consequência, as importações de vestuÁrio da União Europeia provenientes da China registaram apenas um aumento de 2% em valor no período entre Janeiro e Abril. No seio das chegadas provenientes da China, as importações de produtos sujeitos ao sistema de duplo controlo – ou seja, 37%, em valor, das importações de vestuÁrio da União Europeia provenientes da China – conheceram, contudo, fortes aumentos: mais 9% em valor para o conjunto das seis categorias de vestuÁrio abrangidas, mais 15% em termos quantitativos. A título de exemplo, as importações de vestidos aumentaram 53% em quantidade, as de pullovers 28%, ao passo que as de túnicas aumentaram 22%. As importações de produtos fora do sistema de vigilância, pelo contrÁrio, registaram uma diminuição. Apesar deste contexto de abrandamento do consumo, os produtores da Bacia do Mediterrâneo não foram muito afectados, ao contrÁrio do que seria de esperar. Com efeito, se uma boa conjuntura estimula a procura de abastecimento junto dos produtores situados na periferia da Europa, poderia pensar-se que essa diminuição do consumo influísse na sua actividade. O IFM dÁ o exemplo da França, que figura entre os principais clientes de Marrocos e da Tunísia. Ao longo do período compreendido entre Janeiro e Abril de 2008, as importações francesas de vestuÁrio permaneceram estÁveis em relação ao mesmo período de 2007. Apesar das entradas por parte dos parceiros europeus terem registado um recuo de 10% em valor, as importações provenientes dos países externos à UE aumentaram 5%. As importações de vestuÁrio provenientes da China, principal fornecedor do HexÁgono, foram 5% superiores em valor às do ano passado. Para o conjunto dos países da Ásia, as importações seguiram uma tendência semelhante: mais 4% em valor. Tratando-se dos países da Bacia do Mediterrâneo, as entradas provenientes da Tunísia aumentaram 4% em valor, ao passo que as importações francesas de vestuÁrio com origem em Marrocos registaram um crescimento de 11%. Também as importações provenientes da Turquia aumentaram (mais 13%). No total, as importações francesas de vestuÁrio provenientes do conjunto dos países da Bacia do Mediterrâneo beneficiaram de um aumento de 9% em valor entre Janeiro e Abril de 2008, em comparação com o período homólogo do ano anterior. O abrandamento do consumo fez com que, pelo menos, até ao momento, os distribuidores diversificassem o seu sourcing. Segundo o IFM, os produtores das regiões próximas da Europa, em particular os países da Bacia do Mediterrâneo, ganharam quota de mercado nos aprovisionamentos franceses. Isto porque a acalmia do consumo levou os distribuidores a adoptarem uma estratégia de aprovisionamento prudente para evitar os stocks excessivos, que permita seguir mais de perto as evoluções da procura. Neste contexto, a proximidade geogrÁfica dos produtores dos países da Bacia do Mediterrâneo permitiu-lhes, até agora, serem poupados ao abrandamento do consumo na Europa. Na verdade, o comércio intra-europeu foi o mais afectado, tendo sofrido um decréscimo acentuado, como é o caso das importações provenientes da Roménia e da Bélgica, devido ao aumento dos custos salariais destes países, que os afectam hÁ jÁ alguns anos.