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O segredo está no tecido

Actualmente, o produtor de vestuário dispõe de um leque de escolha infinito de tecidos para construir a peça de vestuário perfeita. Deverá optar por um tecido, um não-tecido, uma malha de teia, uma malha de trama ou uma malha sem costuras? Preferirá com ou sem elastano; fibras naturais, sintéticas ou uma mistura de ambas? A primeira questão à qual deverá responder é a que tipo de vestuário se destina o tecido? Os limites deste último foram completamente ultrapassados.

No mercado do vestuário desportivo actual vemos tecidos e malhas atravessar territórios outrora destinados apenas a uma destas tecnologias. A primeira, e mais importante, decisão que os consumidores têm que tomar é a identificação das características de performance requeridas. Parece simples até ao momento.

Se precisar de um artigo de base para um desporto activo, então procurará algo capaz de gerir bem a humidade. A regra número um na gestão da humidade é a transferência da mesma da superfície do corpo através de fibras hidrofóbicas, este requisito exclui praticamente qualquer fibra natural.

Será que o consumidor opta de imediato por uma fibra hidrofóbica de topo como o polipropileno, fica-se pelo meio-termo e escolhe o poliéster com multicanais ou opta por um nível ligeiramente mais baixo e decide-se pela poliamida? A percentagem de humidade relativa de cada uma eleva-se a 0,04% para o polipropileno, 0,4% para o poliéster e aproximadamente 4% para a poliamida. Mas isto não resume toda a história. Seria uma tolice tomar uma decisão com base apenas nestes números. É também necessário neste caso um artigo com um bom fitting, por isso que contenha elastano.

O custo de um poliéster com multicanais de marca pode ser tão elevado como o de uma poliamida, mas a mais-valia da marca pode pender esta decisão para o poliéster. A dimensão do cliente final pode muitas influenciar esta decisão: um importante fabricante de vestuário desportivo vai preferir colocar a sua própria etiqueta de performance e promover os seus benefícios em vez de ver os seus esforços publicitários diluídos pela inclusão de um outro nome.

Os níveis de conforto da poliamida poderão ditar a sua preferência aqui, sobretudo no caso de uma fibra de poliamida com protecção UV, se o artigo for usado no exterior e sob forte luz solar. Um polipropileno oferecerá os melhores valores em termos de repelência à água mas os cuidados de lavagem e secagem poderão colocar um problema no caso de vestuário para desporto. Este artigo será submetido com demasiada frequência a lavagem numa pia e atirado para uma máquina de secar ou, pior, colocado sobre um radiador. O artigo pode também ter propriedades anti-odores inerentes graças ao uso de qualquer um dos tipos de fio anti-odor disponíveis actualmente.

Uma área que pode afectar a performance e o custo da peça de vestuário é a escolha entre uma malha de teia ou de trama. A construção fina das malhas de teia actuais não será forçosamente a melhor opção se for necessária uma malha jersey volumosa. Se se pretender uma só peça então a resposta é uma malha seamless.

As diferentes opções de inserção do fio nas máquinas actuais permitem zonas de ventilação nos pontos mais sujeitos à transpiração assim como maior resistência à abrasão em áreas de contacto, proporcionando no final uma superfície multifuncional no vestuário.

Outro método para auferir os melhores resultados é a laminagem de tecidos, que permite obter o melhor dos dois mundos a bom preço. As faces de dois tecidos distintos permitem explorar os benefícios do “gradiente do título”, em que uma fibra grossa é usada no interior e uma microfibra no exterior, originando assim a migração da humidade para a superfície do tecido por capilaridade.

Os tratamentos posteriores são actualmente uma prática cada vez mais corrente na medida em que as características de performance estão constantemente a melhorar. Hoje, espera-se que um tratamento posterior dure mais de 40 lavagens ou é julgado não comerciável para vestuário. Alguns são agora capazes de aguentar 50 ou mais lavagens. Os tratamentos podem, hoje, conferir aos tecidos propriedades como a repelência à sujidade, gestão da humidade ou anti-odores. As características do toque outrora tão reprovadas também sofreram grandes melhorias para quase todos os tipos de tecidos.

Hoje, os clientes podem decidir que características desejam, do peso da peça que pretendem suportar e do preço até onde são capaz de subir. Optarão por fibras de marca ou acabamentos de alta performance? Será que reconhecerão o devido valor ao logótipo ou à etiqueta pendente ou sustentarão incessantemente “Quero aquela performance pelo preço sem marca”?