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O sobe e desce das exportações da ITV

Os números relativos aos primeiros 11 meses de 2018 dão conta de um abrandamento das exportações de matérias têxteis, que somaram mais 1,7% de janeiro a novembro. Tecidos impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados, fibras sintéticas ou artificiais, tecidos especiais e têxteis-lar destacam-se pela positiva.

Os números revelados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam mais um abrandamento nas exportações da indústria têxtil e vestuário, que em 2018, apesar de terem registado sempre crescimento, têm sido menos constantes, com altos, como em outubro, e baixos, como em setembro, quase mensalmente.

Entre janeiro e novembro de 2018, as exportações nacionais de matérias têxteis e suas obras somaram 4,93 mil milhões de euros, em comparação com 4,85 mil milhões de euros registados no mesmo período do ano anterior. A União Europeia continua a representar o grande mercado dos têxteis e vestuário portugueses, com uma quota de 82,5%, que, contudo, diminuiu (de janeiro a novembro de 2017 era de 82,9%) por aumento dos envios para os mercados extra-UE, que representam agora 17,5% das exportações nacionais.

Entre as categorias mais representativas destacaram-se, neste período de 11 meses, os envios de tecidos impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados (+16,1%, para 281,7 milhões de euros), de fibras sintéticas ou artificiais (+8,8%, para 254,8 milhões de euros), de tecidos especiais (+6,2%, para 103,6 milhões de euros) e a categoria outros artefactos têxteis confecionados, que inclui a maioria dos têxteis-lar, que aumentou 5,28%, para 612,4 milhões de euros.

Em sentido contrário, as categorias tecidos de malha (-11,5%, para 123 milhões de euros), pastas, feltros e falsos tecidos, que inclui também cordoaria (-8,9%, para 223,3 milhões de euros), algodão (-6,2%, para 157 milhões de euros) e vestuário e seus acessórios, exceto de malha (-2,68%, para 897,4 milhões de euros) registaram uma quebra nas exportações.

China é 12.º mercado

Em termos de mercado, Espanha continua em queda (-4,1%, para 1,59 mil milhões de euros), numa tendência que se manteve ao longo de 2018. O Reino Unido também comprou menos têxteis e vestuário a Portugal nestes 11 meses, evidenciando uma queda de 3,5%, para 372,4 milhões de euros, o equivalente a uma perda de 13,6 milhões de euros.

Estas quebras, sentidas também nos envios para a Alemanha (-1,1%) e para os EUA (-0,6%), foram compensadas pelos aumentos significativos para Itália (+34,8%, para 303,4 milhões de euros), para a Suíça (+14,2%, para 58,7 milhões de euros) e para a China (+66,3%, para 54,4 milhões de euros). O Império do Meio transformou-se mesmo no 12.º maior mercado individual para os têxteis e vestuário portugueses, ultrapassando, em comparação com o período homólogo de 2017, a Roménia, Angola, Áustria, República Checa, Canadá, Polónia e Tunísia.

Vestuário cresce a duas velocidades

As exportações de vestuário, no seu conjunto, conheceram um aumento de 1,2% entre janeiro e novembro de 2018 face a igual período do ano anterior, representando 2,92 mil milhões de euros de exportações.

Em termos de mercados, tal como sucede para o total das exportações de matérias têxteis e suas obras, as empresas de vestuário exportaram menos para Espanha (-5%), Reino Unido (-6,5%) e Alemanha (-3,2%). Pela positiva, destacam-se os envios para Itália (+51%), Países Baixos (+19,6%) e EUA (+16,6%).

O vestuário, no entanto, assume duas velocidades: enquanto as exportações de vestuário em malha cresceram 3,1%, equivalente a 61,2 milhões de euros, para 2,06 mil milhões de euros, as do vestuário em tecido sentiram uma quebra de 2,68%, o que representa menos 24,8 milhões de euros, para 897,4 milhões de euros.

As exportações de vestuário em malha estão a ser impulsionadas sobretudo pelos envios de camisolas e pulôveres, cardigãs, coletes e artigos semelhantes (+18,2%, para 392,8 milhões de euros) e fatos, conjuntos, casacos, calças, jardineiras, bermudas e calções de uso masculino (+10,4%, para 83,8 milhões de euros). Já a principal categoria de exportação de vestuário em malha, que integra t-shirts, camisolas interiores e artigos semelhantes, registou um ligeiro crescimento de 0,8%, para 818,6 milhões de euros.

Por seu lado, as exportações de vestuário em tecido estão a ser afetadas por uma performance inferior das categorias camiseiros, blusas, blusas-camiseiros, de uso feminino (-11,2%, para 86,3 milhões de euros), fatos, conjuntos, casacos, calças, jardineiras, bermudas e calções de uso masculino (-7,2%, para 251,9 milhões de euros) e fatos de treino para desporto, fatos-macacos e conjuntos de esqui, fatos de banho, biquínis, calções, slips de banho e outro vestuário não especificado (-4,6%, para 46,6 milhões de euros). A principal categoria de exportação de vestuário em tecido, composta por fatos de saia-casaco, conjuntos, casacos, vestidos, saias, saias-calça, calças, jardineiras, bermudas e calções de uso feminino, verificou um crescimento de 2,7%, para 274,4 milhões de euros.