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O sucessor de Balenciaga?

Joaquin Trías, que recentemente subiu, pela terceira vez, à passerelle da Semana de Moda de Nova Iorque, apresenta-se perante o público como uma pessoa tímida. Fala sempre da sua marca na terceira pessoa, referindo-se constantemente à sua empresa como uma equipa. «O designer não é o protagonista, não quer ser uma celebridade, quer trabalhar, vender», explicou Trías, durante o VIII Seminário de MBA em Empresas de Moda do ISEM Fashion Business. As musas de Trías eram as suas avós: uma vestia Cristóbal Balenciaga e outra Manuel Pertegaz. No entanto, a sua paixão pela moda não foi bem recebida no seio da sua família e entre os 14 e os seus 16 anos viveu na Florida, onde trabalhou para se converter num tenista de elite, uma formação que actualmente se reflecte na sua «disciplina de trabalho». «Quando voltei dos EUA estudei gestão empresarial mas, ao invés de assistir às aulas, preferia ir a ateliers de moda para perceber como é que estes funcionavam», recorda, acrescentando ainda que «nunca encarei a moda como uma futilidade, queria estar entre os técnicos». No passado dia 16 de Setembro, a marca Joaquín Trías cumpriu o seu primeiro ano de vida. O designer considera que o nascimento da sua empresa está relacionado com a sua primeira apresentação pública, em Nova Iorque. «Respeito, perfeição e inovação são três dos atributos da marca Joquín Trías. Não gostamos de pensar no que é considerado tendência e queremos criar uma moda de verdade. É o “back to the origins», explicou Joaquín Trías que decidiu trabalhar em colaboração com o empresário Ángel Sartorius, que conheceu em 2008. Sartorius, cuja imagem de homem de negócios contrasta com a de Trías, acredita que «criar uma empresa de moda é mais difícil que consolidá-la ou dirigi-la». Perante as dificuldades para aceder a um crédito, os dois jovens recorreram ao capital familiar para desenvolver a primeira colecção e iniciar a comunicação da marca, através de Valérie de Baecque. «Com uma comunicação coesa chegamos a Nova Iorque, onde toda a gente é muito profissional». Deste modo, e sem perceberem muito bem como, conseguiram que, em Maio de 2009, a WWD e Carolina Herrera os recebe-se. Uma semana após ambos os encontros, Joaquín Trías, obteve uma data no calendário da Semana de Moda de Nova Iorque. Passado um ano, após a sua estreia naquela passerelle, Joaquín Trías espera agora que as suas peças cheguem em breve ao mercado. «Dentro de alguns dias teremos uma resposta de como correu a campanha de vendas em Nova Iorque e Paris», afirmou Sartorius, acrescentando ainda que «a nossa situação agora é muito mais cómoda, mas ainda não solucionamos totalmente a parte financeira do negócio. É necessário mais financiamento para poder continuar com o mesmo ritmo que temos actualmente. Ainda que sejamos muito pacientes, precisamos de um forte investidor para podermos avançar de forma mais rápida e sustentada», concluiu.