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O têxtil do século XXI

O ponto de encontro foi no Citeve (ver Galiza visita ITV nortenha), onde primeiro decorreu uma breve apresentação do centro tecnológico, que celebrou já 25 anos em 2014, e do bem mais jovem CeNTI (2006), que trouxe a nanotecnologia da ficção científica para a realidade industrial nacional, seja ela do sector têxtil, construção civil ou automóvel. A dinâmica da apresentação feita pelo diretor-geral do Citeve, Braz Costa, propiciada pelas novas tecnologias e programas informáticos, não preparou contudo as cerca de quatro dezenas de visitantes para o périplo que estava para vir. Através de um labirinto de corredores e salas, Braz Costa conduziu os muitos empresários galegos, e alguns empresários portugueses das redondezas, pelas valências do centro tecnológico em matéria de investigação e desenvolvimento (I&D) – e certamente nenhum deles voltará a ter o mesmo olhar sobre os têxteis que veste e usa nas suas múltiplas realidades quotidianas. Equipamentos que lançam chamas para medir a capacidade de resistência de um têxtil ao fogo, câmaras climáticas para otimizar o seu conforto, microscópios eletrónicos para identificar a sua composição de fibras – e evitar comprar gato por lebre, ou melhor neste caso, ovelha (lã) por cabra (caxemira) –, laboratórios de física, mecânica e química para analisar a resiliência ao rasgo, corte, fricção, exposição solar, lavagem, secagem, passagem a ferro… Mas também exames a eventuais microrganismos e substâncias tóxicas presentes, sobretudo no popular algodão. A formação, a par do design, faz igualmente parte do ADN do Citeve, como apontou o seu diretor-geral. «A formação têxtil não pode ser feita com papel e lápis», advogou Braz Costa ao calcorrear as unidades piloto de tricotagem, confeção, tingimento e acabamentos, todas com equipamentos que recriam o ambiente industrial. «Utilizamos não só as tecnologias tradicionais, mas também soluções avançadas como a soldadura e o corte por laser», acrescentou no final da visita ao centro tecnológico. Atravessar a porta que separa o Citeve do CeNTI é como sair do presente e entrar no futuro, sem viajar no tempo. Mas para o comum dos visitantes, independentemente de dominar o idioma de Cervantes ou de Camões, foi difícil perceber o que aqueles equipamentos colossais em salas diminutas guardadas por corredores estreitos permitem desenvolver, sobretudo trabalhando à escala nano (nanopartículas, nanorrevestimentos,…) – um cabelo humano, por exemplo, tem uma espessura de 75.000 nanómetros, o que equivale a 0,075 milímetros, ou seja, menos da décima parte de um milímetro, o que quer dizer que num milímetro cabe um milhão de nanómetros… Convenhamos que não é fácil de imaginar! E enquanto Ana Ribeiro, responsável pelo desenvolvimento de Negócio no CeNTI, somava as competências no desenvolvimento de fibras tricomponentes e na eletrónica impressa, os simples mortais presentes subtraíam a compreensão e o entendimento. Aquelas palavras impronunciáveis, aquelas medidas inimagináveis ganharam, finalmente, sentido no showroom do Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes: um volante que se mantém fresco sob o tórrido calor do verão, uma camisa com capacidade de autolimpeza, uma meia que liberta medicamentos, um banco de automóvel que aquece quem lá se senta,… Soluções para muitos problemas da vida quotidiana que sem as tecnologias avançadas do CeNTI não teriam visto a luz do dia. De regresso ao Citeve, mas já pela tarde, os empresários galegos e os seus congéneres do Norte de Portugal puderam descobrir, in loco, a visão do centro tecnológico para a loja do futuro, onde se cruzam tecnologias como espelhos mágicos, scanner 3D e montras interativas. Tal como a indústria têxtil e vestuário, o retalho anuncia uma nova era. Antes disso, houve ainda tempo para conhecer, nas proximidades, duas realidades desta mesma indústria: a Têxtil Nortenha e a Pizarro, que comungam de igual sucesso palmilhando caminhos divergentes… mas esta é já uma matéria que só lhe será revelada na edição de fevereiro do Jornal Têxtil, juntamente com o balanço que cada uma das entidades envolvidas fez deste projeto europeu de cooperação territorial que une a Galiza – berço da Inditex – e o Norte de Portugal – terra de mutos fornecedores da Inditex.