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O triunfo da cor na Cibeles

Um mês depois da morte do estilista Jesús del Pozo, o dia inaugural do principal evento da moda espanhola converteu-se numa homenagem a um dos seus criadores mais carismáticos. Como previsto, foi mostrada a colecção Primavera-Verão 2012, na qual Pozo estava a trabalhar quando no início de Agosto se agravou a sua doença pulmonar crónica. Desde o início do desfile até ao aplauso final, o acontecimento teve um carácter contido e sóbrio, que parecia ter sido feito à medida da filosofia e estética do criador madrileno. Um vestido do Outono-Inverno de 1996 abriu o desfile póstumo do criador, a que se seguiram as propostas para Primavera-Verão inspiradas na cidade de Nova Iorque dos anos 70. Um aceno ao mercado dos EUA que o criador tinha planeado completar com o lançamento de um novo perfume, Halloween Fever. No entanto, a moda não pode parar. Os desfiles madrilenos avançaram com as propostas de Davidelfin que apostou na variedade cromática com a colecção Katharsis. Após várias colecções bastante monocromáticas, o criador andaluz apresentou uma Primavera cheia de cor e jogou com toda a paleta cromática em padrões como riscas, rectângulos e criações desestruturadas. Agatha Ruiz de la Prada continuou com as suas criações multicolores, mas muito mais pragmática do que o habitual, apresentando uma série de mini-vestidos, calças capri e tops em cores ácidas como o verde-lima. Ion Fiz apresentou a colecção Moka, onde se destacaram os contrastes de texturas, como sedas em tons de café combinadas com ráfia e plástico, utilizados em vestidos, túnicas, camisas transparentes e calças com dobras. Maya Hansen, estilista vencedora da última edição do concurso El Ego, apresentou uma colecção pop inspirada em Madonna e Lady Gaga, repleta de corpetes elaborados combinados com calças de cintura alta e saias justas. Roberto Toretta mostrou um lado mais duro, com detalhes militares em casacos estruturados, vestidos e blusas elaboradas em jersey com seda ou seda com lã. A TCN, da criadora Totón Comella, seguiu com as suas propostas de lingerie, homewear e beachwear, destacando-se as rendas e os bordados suíços com a sua típica gama cromática (rosa pálido, verde, musgo, cinzento, castanho e laranja). O catalão Andrés Sardà inspirou-se no Mediterrâneo para criar propostas de beachwear com estampados exóticos, riscas bicolores, florais e também tons lisos. Guillermina Baeza, também criadora de beachwear, apostou nos rosas e fucsias em estampados florais nas suas propostas balneares com destaque para os grandes decotes e formas de biquínis em bandeau. Já Dolores Cortés, outra criadora de beachwear, seguiu a tendência tribal com grandes estampados inspirados na obra do pintor Henri Rousseau, usados em biquínis e triquínis com detalhes em croché. Francis Montesinos festejou os seus 40 anos na moda com uma colecção marcada pelo uso de sedas e tules e também de estampados criados com recortes da imprensa e imagens de grandes modelos espanholas. Devota&Lomba apresentou a sua 51.ª colecção inspirada na cultura Maia e marcada pelos vestidos transparentes na colecção feminina e casacos também transparentes nas propostas masculinas. Hannibal Laguna trouxe muita cor à passerelle da Cibeles, com uma colecção de vestidos em tons suaves de vermelho, rosa, laranja e verde, elaborados em tecidos bastante complexos. A Índia inspirou Kina Fernández, que apresentou propostas de vestidos, mini-saias e calças largas em tecidos naturais e padrões florais. Adolfo Dominguez exibiu propostas jovens com destaque para os estampados com libélulas, omnipresentes nesta colecção feminina e masculina. Duyos destacou-se em Madrid com uma colecção de vestidos de cocktail elaborados em musselina, seda e lãs frias e uma gama cromática feita de amarelos, castanhos, menta, rosa e verde-lima. Roberto Verino deu à colecção um ar eco-chic, com especial destaque para as peças elaboradas à mão e para as texturas naturais em tons de areia, ouro e negro. “Abstracções” foi o título da colecção de Victorio&Lucchino, que se inspirou na obra impressionista de Robert Delaunay e em África para apresentar criações elaboradas em sedas naturais e tecidos de nova geração em tons de areia, que se adornam com detalhes em rosa e amarelo.