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O triunfo das ideias

O “Ideiaismo” é o novo conceito a fixar. Muito além dos objetos, os consumidores querem perceber os conceitos que estão por detrás, abrindo caminho a compilações em livro, exposições conceptuais e até museus vocacionados unicamente para gerar ideias.

Abram alas para um novo movimento: a ascensão das ideias, a que o WGSN chama Ideiaismo. Esta é a nova palavra mágica, numa altura em que as ideias estão rapidamente a tornar-se commodities – produtos elas próprias –, coisas que desejamos e queremos. Mas, com as redes sociais a tornarem-se uma repetição de “mais do mesmo”, os consumidores estão a procurar algo além dos itens e objetos. Como afirma Marcel Duchamp, justificando a sua mudança da pintura para a arte conceptual, «estava interessado em ideias, não apenas em produtos visuais».

Este movimento de Ideiaismo tem crescido e está a chegar à consciência popular. Veja-se, por exemplo, o Social & Studies, um estúdio de design de Nova Iorque devotado à produção de ideias. Os museus estão também a abrir espaços para que o pensamento criativo possa prosperar. O New Inc é o primeiro museu-incubador construído puramente para gerar ideias. Há ainda o Ideas City Festival, o evento de cinco dias dedicado ao nascimento de novos pensamentos. Na publicação, algo de semelhante está a acontecer. O diretor criativo da marca de design Brand Nu publicou o Book of Ideas (o Livro das Ideias), uma compilação de pensamentos inspiracionais desenhado para ajudar a vencer o bloqueio criativo. Na área da política, o Common Weal escreveu um livro com 101 ideias para uma melhor Escócia, que espera que sirva como um trampolim para o futuro.

O Ideiaismo também ficou evidente no Salão do Móvel de Milão em 2016 com a Envisions. Esta exposição coletiva focou-se nos conceitos iniciais, nos passos e fases não vistos que se passam por detrás das cenas. Como explica Iwan Pol, um dos expositores, «chamo-lhe um arquivo de ideias. Queremos mostrar às pessoas o que acontece antes de algo se tornar num produto final».

Hans-Ulrich Obrist, o curador, está também interessado na ideia das ideias: em criar não-objetos, em desmaterializar as coisas. Agora, afirma, é altura de pensar em diferentes dimensões. «Não são os objetos que estão agora obsoletos, pelo contrário, mas eles são apenas um aspeto, uma possibilidade», refere.

O movimento “menos-é-mais” está a alimentar esta noção de Ideiaismo também. O consumo está em queda. As economias atingiram o pico. O efeito Kondo está a ganhar força. As pessoas estão a comprar menos porque querem estar também mentalmente realizados.

Há outros fatores a impulsionarem o movimento para além da mudança no consumo. James Alutcher, por exemplo, acredita que as ideias são mais valiosas do que os produtos e surge com ideias para ajudar outras pessoas a terem ideias. Ele escreveu um livro focado na forma como as ideias são a nova moeda de troca e porque estão ligados de forma tão forte com a riqueza. O livro pretende ajudar a desbloquear a criatividade e a exercitar os músculos das ideias. Ele liga isso a uma espécie de terapia das ideias e afirma que precisamos de ter o nosso cérebro a suar para que possa aumentar as ideias e acrescenta que a chave do sucesso vai tornar-se uma máquina de ideias.