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O valor do online na Atlanta Mocassin

Está há 30 anos no mercado e distingue-se pela identidade «muito forte» que fala por si. Comercializa mocassins para vários pontos do mundo e a plataforma de comércio eletrónico tem crescido «mais do que imenso» ano após ano.

Bárbara Santos

A Atlanta Mocassin tem sido inesgotável na multiplicação da oferta, com engenho e arte. «[Os mocassins] são todos feitos à mão por medida e temos uma variedade de cores enorme, que o cliente é livre de escolher para a própria coleção. Pode escolher as combinações que quiser e, além disso, temos o mesmo modelo desde bebé até homem, o que faz com que toda a família possa usar», revela Bárbara Santos, gestora de vendas e responsável pelo desenvolvimento do produto da marca.

A somar às coleções sazonais, a Atlanta Mocassin tem também disponível uma coleção permanente durante todo o ano. «Ter um parceiro como nós é algo que pode ser bastante importante para o retalho ou para a loja, porque estamos sempre muito disponíveis para o cliente. É muito fácil trabalhar connosco e há essa liberdade que o cliente tem, de não ter que estar preso a uma época, para nos encomendar sapatos», afirma ao Portugal Têxtil.

Com sede no Porto, a marca, que se destina a «pessoas de classe média», é responsável pelo design, desenvolvimento, gestão e venda produto. Já a produção é realizada no norte de Portugal. «[Os clientes] são pessoas que apreciam o conforto, que gostam de usar alguma coisa subtil, mas diferente. É sempre um clássico, mas que se pode arriscar. São pessoas que dão prioridade aos pequenos prazeres da vida, sempre aliados ao conforto da nossa marca e à versatilidade a nível de cores», explica Bárbara Santos.

Desde a sua fundação, a Atlanta Mocassin apostou forte na internacionalização, tendo, atualmente uma quota de exportação de 90%. «O nosso foco sempre foi exportar. Estamos presentes sobretudo na Europa, com destaque para Rússia, e nos EUA, mas também no Japão», aponta a gestora de vendas e responsável pelo desenvolvimento do produto.

Aumentar e cimentar alguns dos mercados em que está já presente continua a ser uma etapa a cumprir para a marca, mesmo em tempos de Covid-19. «Para já é importante aumentar alguns mercados abertos. Por exemplo, no caso dos EUA, abrir mais contas do Estado da Califórnia. E consolidar alguns países europeus. Os objetivos mantêm-se, apesar da incerteza na evolução da pandemia nos EUA, que é o nosso principal mercado», admite.

Certas e incertezas

Para além de ter retalhistas que compram a marca e a expõe em lojas multimarcas, department stores e concept stores, quer sejam físicas ou online, a Atlanta Mocassin tem a própria plataforma de venda digital, uma das principais apostas, que se tem revelado certeira. «Temos o site online há uns sete ou oito ano. Falando em mercado interno, a nossa loja online tem crescido, nem digo imenso, é mais do que imenso, de ano para ano. Não sentimos necessidade de ter uma loja física. O online é quase uma das nossas devoções», reconhece Bárbara Santos. «Temos também uma plataforma online onde o cliente pode fazer as suas encomendas e ver preços através de lá e é tudo mais fácil. Esse processo de atendimento acabou muito mais orientado para o online, o cliente dá valor e isso resulta também nas vendas», adianta.

A marca, que já calçou Ivanka Trump e filhos de celebridades como Alicia Keys e Kourtney Kardashian e que conta ainda com parcerias com influenciadores digitais de vários pontos do globo, teve um ano «estável» em 2019. «Conseguimos aumentar 20% as nossas vendas a nível de wholesale. Online também crescemos. Agora, em 2020 é manter 2019 e tentar aumentar mais 20%», indica a gestora de vendas e responsável pelo desenvolvimento do produto, uma vez que «as vendas online têm crescido em parte devido á situação atual, mas, sobretudo, ao grande investimento de marketing».

Contudo, devido ao novo coronavírus, o panorama geral traz incertezas para o futuro. «Até ao momento, a pandemia que estamos a viver não afetou significativamente a faturação da Portocouro [empresa que detém a Atlanta Mocassin]. No entanto, o futuro é incerto, dado que uma grande parte das nossas vendas está concentrada em pequenos retalhistas, distribuídos por cerca de 50 países, muitos dos quais estão em risco de não reabrir as suas lojas», destaca Bárbara Santos. «A afluência de pedidos é praticamente nula, mas temos já em carteira um número significativo de encomendas, mas o problema é se devemos ou não fabricar, correndo o risco de as lojas não reabrirem entretanto», acrescenta.

Numa época sem precedentes, a Atlanta Mocassin continua em atividade. «A empresa sempre se manteve a trabalhar e não recorremos a lay-off nem despedimentos. Uma parte da equipa tem estado a trabalhar de casa e outra parte nos seus postos de trabalho, seguindo as instruções da DGS», assegura.