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O vestuário americano visto a nu

O Observatório Têxtil do CENESTAP elaborou um documento com base num estudo efectuado pela Textile Intelligence cuja temática é o Vestuário nos EUA. O PortugalTextil.com adianta algumas informações contidas neste documento.
O mercado do vestuário nos EUA está profundamente fragmentado, devido às diferentes variedades de estilos dos consumidores, à necessidade de identidade dos consumidores e aos estilos de vida cada vez mais eclécticos. Para além destes aspectos acresce a diversidade dos tamanhos corporais, como consequência das mudanças dietéticas e preocupações com o exercício físico.
O consumidor norte americano, apesar da decisão de compra também ser influenciada pela marca, é cada vez menos “leal”. Os clientes requerem um alto nível de serviço e são cada vez mais exigentes. A Internet contribuiu para este nível de exigência, já que permitiu aos agentes terem acesso a diferentes opções de compra à distância de um clique, estimulando a tomada de decisão baseada num processo de comparação mais fidedigno, já que a assimetria de informação vai-se reduzindo.
O retalho do sector de vestuário nos EUA é, talvez, o mais dinâmico a nível mundial, tendo sofrido significativas alterações ao longo das últimas décadas: mudanças nos padrões de consumo e nos hábitos de compra; consolidação do retalho, emergindo grandes grupos retalhistas; desenvolvimento de novos formatos de retalho e novos canais de distribuição; globalização das cadeias de distribuição; introdução de novas tecnologias e novos sistemas de gestão.
As vendas a retalho de vestuário e acessórios atingiram 36,5 mil milhões de contos em 2000. Este valor representa 5,5% das vendas totais do retalho.
A produção nos EUA apresentou um forte acréscimo após a recessão de 1991 e manteve elevada taxa de crescimento até decair em 2001. Em contraste, a produção no sector de vestuário começou a diminuir em 1996 e desde 1998 essa queda começou a acentuar-se. Esta tendência tem reflexos nas importações, que procuram compensar a menor produção doméstica. Em 2000 o comércio internacional norte americano registou um défice de 10,6 mil milhões de contos, 14% mais elevado face a 1999 e superior em 74% face a 1995.
As importações ao abrigo do Acordo Multi-Fibras (AMF) cresceram 13% em 2000, atingindo 12,4 mil milhões de contos neste último ano. Desde 1995 que as importações registam aumentos significativos, equivalendo a um crescimento médio anual de 10,6%.
As exportações cresceram a uma taxa inferior. Entre 1995 e 2000 aumentaram 4,8% em média por ano. A exportações de vestuário dos EUA atingiram, em 2000, 1,8 mil milhões de contos. Contudo, cerca de 80% desse valor teve como destino o México e os países do Caribe.
A evolução das importações dos EUA nos anos mais recentes está directamente relacionada com a estratégia dos produtores e retalhistas norte americanos e com os acordos comerciais estabelecidos com os países vizinhos, nomeadamente, o acordo 807 e 807a, African Growth and Opportunity Act (AGOA), tratados sob a égide da NAFTA, etc.
Em 2000, os EUA constituem o 2º principal destino das exportações portuguesas extra UE, representando 2,7% das exportações nacionais de vestuário. No 1º semestre de 2001, este mercado assume a liderança como mercado de destino extra-comunitário, uma vez que absorve 3% das exportações nacionais, que correspondem a 8,5 milhões de contos. As exportações para os EUA registaram, em 2000, um aumento significativo, e que se fixou em 56,4%. A variação homóloga nos primeiros 6 meses de 2001 face a 2000, evidencia a continuidade desta tendência, uma vez que cresceu 23%.