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OCDE apresenta panorama para a ITV

A liberalização do comércio de têxteis em 2005 vai levar a uma migração da produção para os países em desenvolvimento mais competitivos, em particular a China, país que pode conseguir benefícios desproporcionados, revela um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE), divulgado no dia 2 de Dezembro. Os fabricantes dos países desenvolvidos têm de dirigir a sua produção para produtos de maior valor acrescentado, com qualidade e “design”, de modernizar os equipamentos e de adoptar novas formas de organização do trabalho, aconselham os autores do trabalho.

A OCDE destaca como apostas os têxteis técnicos (para automóveis, mobiliário, construção, saúde, higiene e outras aplicações) que representam já mais de metade da produção têxtil, sendo o sector com maior taxa de crescimento.

O estudo recomenda aos governos que reforcem a capacidade das empresas privadas do sector para enfrentar as mudanças competitivas, o que envolve apoio à criação de pólos de qualificação da força de trabalho, estimular processos de inovação e transferência de tecnologias e negociar melhor acesso aos mercados dos seus produtos de têxtil e vestuário eliminando obstáculo ao estabelecimento de sistemas de distribuição a retalho.

Nas últimas duas décadas foram suprimidos quatro milhões de postos de trabalho do sector têxtil nos países industrializados, de acordo com estimativas da organização que alerta que a liberalização do comércio têxtil pode afectar não só os países mais desenvolvidos como os mais pobres, que terão condições desfavoráveis face aos países em desenvolvimento mais competitivos.

A OCDE refere que um reduzido número de grandes países em desenvolvimento poderá absorver o grosso dos benefícios da liberalização das trocas comerciais do sector. A China ou a Índia vão concorrer mais fortemente com os países produtores têxteis nas exportações e nos mercados internos, exemplifica o estudo.