Início Arquivo

Oito anos depois …

Oito anos depois da sua apresentação pública, é um exercício muito interessante voltar a ler o livro “Construir as Vantagens Competitivas de Portugal” que resultou de um trabalho liderado pelo famoso autor de estratégia Michael Porter e que envolveu várias pessoas da economia nacional. Para a indústria têxtil e do vestuário portuguesa este trabalho funcionou como uma confirmação da viabilidade e das potencialidades do cluster têxtil para o futuro, principalmente perante os políticos e líderes de opinião mais cépticos, mas não só. Deste ponto de vista, trouxe resultados positivos de imediato – o sector passou a ser tratado de uma outra forma pela sociedade e pelo meio jornalístico. Desde 1994 até hoje, a indústria têxtil e do vestuário nacional teve, na óptica da competitividade empresarial, um comportamento globalmente positivo. Do ponto de vista de muitos empresários, este razoável sucesso do sector deve-se principalmente às empresas e muito pouco ao resultado de qualquer política de apoio ao sector. Esta argumentação é discutível para quem teve responsabilidade de gerir as iniciativas (maiores ou menores) de apoio ao sector durante este período de tempo. Cada uma das equipas envolvidas nas várias iniciativas fizeram o melhor que souberam e puderam, e por isso, normalmente estão satisfeitas com os resultados produzidos. Se comparamos a perfomance da ITV nacional com a de alguns dos países que se situam no patamar abaixo relativamente ao nível dos custos de mão-de-obra ou mesmo num patamar superior, rapidamente percebe-se que podíamos ter feito mais. E se fizermos a mesma comparação na óptica das acções de política de competitividade, então percebemos que não fomos tão precisos na necessidade de atacar os verdadeiros estrangulamentos do sector e, por isso, os nossos resultados foram muito pouco estruturais. Oito anos depois, a grande maioria dos problemas e limitações permanecem. Então, o que é que falhou ? De uma forma geral, as pessoas, com maior responsabilidade ao nível da influência, da promoção e da decisão de uma política global de competitividade, parece que se esqueceram que o sucesso tem que ser construído com um trabalho árduo e persistente de planeamento, organização, acção e controlo/avaliação, aliado a um processo eficiente de tomada de decisão. O planeamento não existiu, a organização foi desorganizada, a acção foi a possível e da avaliação nem se falou. De quem é a responsabilidade? De todos e de ninguém, ou talvez do “sistema”. A recente proposta, efectuada pelo já ex-ministro da Economia, para a articulação de projectos /acções para o sector – criação de uma Plataforma Têxtil – vem tarde, mas é positiva. Pode, no entanto, não ser suficiente. Editorial Manuel Teixeira Jornal Têxtil Abril 2002 Os links seguintes remetem para os artigos relacionados com a notícia anterior: Plataforma em marcha Plan Global de la Moda” vs Plataforma Textil …e as intervenções da AIM, APIV, APIM, APT, MTV, ANIL, ANIVEC e ANITT-LAR Michael Porter, ITV e Plataforma Têxtil em questão «Afinar a estratégia»