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Oito inovadoras em aceleração

Da reciclagem aos novos materiais, passando pelas tecnologias de processamento que implicam uma menor pegada ambiental, a Fashion for Good selecionou oito empresas inovadoras para o programa de aceleração que irá decorrer durante este ano.

[©Kintra Fibers]

DyeRecycle, Ever Dye, Idelam, Kintra Fibers, Modern Synthesis, Premirr Plastics, Refiberd e Rubi foram as oito empresas inovadoras selecionadas para o Fashion for Good 2022 Global Innovation Programme, o programa de aceleração de inovação da Fashion for Good. Durante nove meses, estas empresas irão ter mentoria e contacto com a indústria à medida da fase de desenvolvimento em que se encontram para validar as suas tecnologias para um posterior lançamento na cadeia de valor da moda.

«Estamos entusiasmados por acolher estas oito inovadoras no 2022 Fashion for Good Innovation Programme. Estamos inspirados pelo impacto significativo e oportunidades de redução de carbono que as suas tecnologias permitem», afirma Katrin Ley, diretora da Fashion for Good. «Com ênfase em impulsionar o impacto e a implementação, tentamos dar-lhes o melhor apoio para acelerar a sua exposição e crescimento no mercado», acrescenta.

Estas oito inovadoras representam tecnologias em áreas como matérias-primas, processos e inovações em fim de vida, áreas que a Fashion for Good considera essenciais para gerarem «um impacto significativo e oportunidades de redução de carbono».

Avanços nos materiais

A americana Kintra Fibers desenvolveu um novo substituto de poliéster, à base de plantas, com o mesmo nível de performance e de preço dos sintéticos tradicionais. Com inputs renováveis e compostáveis, a Kintra Fibers criou o material a pensar na redução das emissões na sua produção, na eliminação da poluição por microfibras e na circularidade têxtil através da reciclagem química e da compostagem industrial.

[©Modern Synthesis]
A britânica Modern Synthesis, por seu lado, tem uma plataforma de têxteis microbianos que usa micróbios para criar uma forma completamente nova de têxteis a partir de nanocelulose, uma versão muito resistente e fina de celulose, que está na base do algodão, linho e madeira. Com o objetivo de ajudar a reduzir as emissões da indústria da moda e a poluição por plásticos, a empresa quer substituir os atuais têxteis à base de petroquímicos, couros alternativos e filmes por uma gama de materiais naturais de performance que são customizáveis, renováveis e sem recurso a fontes animais ou plástico.

Já a Rubi produz têxteis com pegada negativa de carbono recorrendo a biologia sintética. Fundada em 2020, a empresa americana consegue produzir têxteis naturais de elevada qualidade semelhantes aos usados atualmente na indústria da moda a partir de emissões de carbono, sem recorrer à agricultura ou aos métodos produtivos atuais, para criar produtos com pegada negativa de carbono, que não usam água nem solo, sendo ainda naturalmente biodegradáveis.

Tingimento mais limpo

A DyeRecycle, do Reino Unido, desenvolveu uma tecnologia que combina a necessidade de reciclagem tanto dos tecidos como dos corantes, tendo criado soluções circulares inovadoras para tingimento usando resíduos têxteis. O processo circular usa um líquido que extrai seletivamente os corantes de têxteis tingidos. O tecido descolorado pode depois ser reciclado de forma mais eficiente e o corante extraído transferido para novos tecidos, criando um novo conceito de “corantes reciclados”. A tecnologia permite ainda transformar restos têxteis em corante.

DyeRecycle [©Grantham Institute/Aida Rafat]
Já a francesa Ever Dye assume como missão mudar a indústria da moda graças a processos de tingimento eficientes e cores sustentáveis. A empresa desenvolveu duas soluções químicas que melhoram as capacidades produtivas das tinturarias e lhes permitem tingir mais rápido, com menos energia e sem utilização de petroquímicos, uma vez que os corantes são obtidos a partir de resíduos vegetais e minerais.

Oportunidades na reciclagem

A franco-suíça Idelam desenvolve processos usando CO2 supercrítico para produtos e resíduos complexos de diferentes matérias-primas, como casacos e calçado, para permitir a reciclagem ou reutilização desses materiais.

[©Refiberd]
A Premirr Plastics, sediada nos EUA, quer responder à crise do plástico mundial e, para tal, criou um sistema de fluxo contínuo que é rápido, eficiente e fornece um método simples, circular e amigo do ambiente para reciclar PET (polietileno teraflalato), providenciando produtos PET com conteúdo reciclado com as mesmas propriedades físicas e químicas do PET virgem.

No caso da Refiberd, a empresa americana está a desenvolver um novo sistema de reciclagem têxtil que usa inteligência artificial e um processo de reciclagem químico, que aguarda patente, que converte têxteis usados em novas linhas reutilizáveis. Ao transformar os resíduos num recurso, a Refiberd consegue produzir linha 100% reciclada que é até 75% mais barata do que outras linhas sustentáveis e competitiva em termos de preço com o algodão. Além disso, é fácil de integrar nos processos têxteis existentes.