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Olbo & Mehler a todo o vapor

Com foco na inovação, a Olbo & Mehler continua em crescimento e está a efetuar novos investimentos em Portugal, no valor de 4 milhões de euros, divididos entre a introdução de um novo processo produtivo, a construção de um pavilhão logístico e uma unidade de tratamento químico de tecidos.

A especialista em têxteis técnicos – que tem um leque de produtos que vai dos tecidos para correias de distribuição dos motores para a indústria automóvel até aos tecidos para a indústria de proteção balística, passando por correias de transporte para a indústria mineira, entre outros – está a crescer de ano para ano, como revelou ao Jornal Têxtil, Alberto Tavares, CEO da empresa, numa entrevista publicada na edição de maio (ver Olha o robot!).

«Entre 2017 e 2018, vamos investir mais 4 milhões de euros em Portugal. E vamos investir em três grandes áreas», afirmou Alberto Tavares. «Primeiro vamos introduzir um novo processo produtivo que anteriormente subcontratávamos fora, na Alemanha. É um acabamento específico que damos a um determinado produto usado na indústria automóvel e que até aqui tinha sido impeditivo de entrarmos no mercado norte-americano, pelo facto de não controlarmos esse processo», adiantou o CEO.

Em consequência da aquisição da nova máquina, a Olbo & Mehler, que emprega 285 pessoas em Portugal, vai ainda construir um novo armazém logístico, no valor de 1,4 milhões de euros, que irá também permitir «otimizar os fluxos internos».

A terceira área de investimento consiste numa nova unidade de tratamento químico de tecidos. «Estamos a entrar cada vez mais em áreas de muito valor acrescentado, como a indústria automóvel, a indústria aeroespacial e outro tipo de indústrias, que nos obrigam a ter um processo muito mais controlado, muito mais eficiente, que nos permita fazer desenvolvimentos de produtos em casa», justificou o CEO.

Embora a empresa, de origem alemã, tenha adquirido no ano passado uma fábrica na República Checa, com valências complementares, nomeadamente nos revestimentos, o núcleo de I&D está concentrado no nosso país. «Portugal tem todas as condições para concorrer com qualquer país do mundo nesta área dos têxteis técnicos e isso permite-nos criar aqui um polo de desenvolvimento bastante interessante», indicou Alberto Tavares.

Aliás, sublinhou, «esta unidade, até 2013, só produzia tecidos para as correias de transporte da indústria mineira. Em quatro anos passou de 100% a cerca de 30% e isso obrigou a um grande esforço de desenvolvimento de produtos e diversificação. Um processo de aprovação de um produto destes é muito demorado, por isso ficámos verdadeiramente satisfeitos com os produtos que desenvolvemos para o sector automóvel, que são produtos bastante exigentes. Temos um produto que ganhou um prémio em 2015 e que está patenteado, que é o basalto tratado, um produto com propriedades para resistência a altas temperaturas».

O desenvolvimento da empresa tem-se apoiado também na melhoria da produtividade, um projeto realizado em parceria com o Instituto Kaizen que mereceu uma distinção a nível nacional. «Fomos olhar todo o processo produtivo e ver onde tínhamos desperdícios e ineficiências. Os resultados foram significativos. Se eu olhar à produção quilo/hora/homem de 2014 e comparar com o acumulado à data deste ano, aumentámos a produtividade 14%», destacou. «Para além da melhoria da produtividade, reduzimos o desperdício. Tínhamos um nível total de desperdício na ordem dos 7,5% e está em 6,3%. E reduzimos o stock de matéria-prima para metade – agora temos 3 milhões de euros, sem afetar a produção e o processo», acrescentou o CEO.

A Europa, com destaque para a Alemanha, continua a concentrar 70% das vendas da Olbo & Mehler, que vende para 39 países do mundo. Os EUA (15%), a Austrália, África do Sul, Brasil e Índia são outros mercados importantes. «Vendemos em todos os continentes, mas queremos aumentar as nossas vendas nos EUA. Em janeiro abrimos um armazém de distribuição em Charlotte, na Carolina do Norte, onde já temos stock que nos permite distribuir o produto a clientes que normalmente não compram um contentor de cada vez», apontou Alberto Tavares, acrescentando que a meta é passar dos atuais 8 milhões de euros para 16 milhões de euros até 2020 no mercado americano.

Com um volume de negócios que em 2016 rondou os 52 milhões de euros, a empresa conta com uma carteira de cerca de 60 clientes, onde se destacam nomes como a ContiTech (automóvel), a MVS [Mehler Vario System] (coletes à prova de bala) e a Fenner Dunlop (sector mineiro). «A nossa perspetiva é chegarmos aos 60 milhões de euros anuais em 2018», concluiu Alberto Tavares.