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Olga Noronha, a curadora

Uma das criações da jovem designer – o Colar Cervical de Filigrana de Ouro – mereceu um lugar de destaque no Museu da Joia de Vicenza, integrando a sua exposição inaugural. Agora, é Olga Noronha quem se prepara para passear pelos corredores do museu, tendo sido apontada como sua curadora.

Em paralelo com o de protagonista na marca de joalharia de autor desfilada na passerelle da ModaLisboa, Olga Noronha concilia diferentes papéis.

Entre eles, constam o de coordenadora do curso de design de joalharia da Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos (ESAD), o ensino em instituições no Reino Unido, EUA e Milão, o desenvolvimento de coleções-cápsula para alguns clientes e a investigação académica.

Olga Noronha não recusa um bom desafio e o mais recente leva-a de volta ao primeiro museu europeu com uma mostra permanente de joias em Vicenza, no norte de Itália.

«Vou iniciar, oficialmente, em janeiro de 2018 a curadoria do Museu da Joia de Vicenza, o único museu europeu de joalharia», revela Olga Noronha ao Portugal Têxtil, explicando que o convite aconteceu no seguimento da integração do Colar Cervical de Filigrana de Ouro na exposição inaugural do museu.

«Entraram em contacto comigo, queriam inicialmente uma fotografia, mas depois requisitaram a peça e eu, na altura, tive de pedir o Colar Cervical à colecionadora», conta.

Somando no currículo várias exposições em Portugal e no estrangeiro, Olga Noronha ficou conhecida ao cruzar os universos da anatomia e da joalharia, manipulando objetos e materiais médico-cirúrgicos para os transformar em joias, trabalho de que é exemplo o Colar Cervical de Filigrana de Ouro, peça cientificamente comprovada.

«Aquilo que, para mim, já era um sonho – estar representada num museu [entre mais de 800 peças], ainda por cima sendo a única portuguesa e também a mais nova – veio juntar-se a um convite da diretora do museu para ser a nova curadora», confessa a jovem designer, sublinhando que respondeu, imediatamente, «sim!».

Desfile iluminado

No passado mês de outubro, no seu desfile na plataforma Lab da ModaLisboa, Olga Noronha voltou a surpreender os presentes, uma vez mais, pela diferença.

O desfile foi acompanhado por música clássica, tocada ao vivo pelo jovem pianista Rodrigo Teixeira, num piano de cauda.

O clímax da apresentação das oito esculturas vestíveis de “In Tempérie” aconteceu, contudo, na segunda parte, quando a sala do Pavilhão Carlos Lopes, no Parque Eduardo VII, ficou às escuras para que as mesmas peças – que tinham como base uma malha de aço que sustentava fragmentos de resina epoxi pigmentada – pudessem revelar as suas verdadeiras cores com a luz negra.

Ainda antes de saber o tema da edição – “Luz” –, «mas talvez por estar tão ligada à família ModaLisboa», Olga Noronha, que falhou a edição anterior, iluminou a passerelle e os rostos dos presentes com propostas que lembravam os lustres, mas se assemelhavam aos xailes.