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Olhos em bico para Minkoff

Jovem, uma maria-rapaz sensual, com grandes conhecimentos de Internet, uma trendsetter na moda em vez de uma seguidora e com dinheiro para gastar: esta é a consumidora ideal da designer Rebecca Minkoff numa Ásia em crescimento. A criadora americana de 32 anos, conhecida sobretudo pelas suas bolsas de luxo, posicionou a Ásia como um pilar do plano de crescimento para a empresa que gere com o irmão. Minkoff, que mostrou a sua coleção para o outono/inverno 2013-2014 na Semana de Moda do Japão, abriu a sua loja no bairro trendy de Ginza, em Tóquio, no início de 2012 e a sua loja em Nova Iorque vai abrir as portas este ano.«Vimos que havia uma enorme oportunidade», afirmou Minkoff. «Desde o início que pensámos que o nosso consumidor realmente abraçou a marca», acrescentou. A designer norte-americana acredita que a loja de Ginza foi definitivamente uma forma de capturar o mercado chinês. «É refrescante para um turista entrar e comprar várias peças quando pensa numa bolsa de designer. Aqui podem entrar e comprar três pelo mesmo preço», exemplificou. A bolsa mais popular da marca é a Mini MAC, que está à venda por 26 mil ienes (cerca de 209 euros). A empresa faz alguns modelos exclusivos para o mercado japonês e muito do seu vestuário é também desenhado com o Japão em mente. «Chamámo-nos a nós próprios uma “marca de maria-rapaz sensual” mas aqui há formas diferentes de ser sensual em relação aos EUA», explicou Minkoff. «Penso que aqui é mais disciplinado – muitas camadas –, por isso fazemos peças que possam ser também usadas em camadas», indicou. A importância dos media sociais O interesse japonês começou relativamente pouco tempo depois de Minkoff ter decidido começar a fazer bolsas em 2004. Muito do crescimento foi alimentado pelo uso estratégico dos media sociais, incluindo um blogue, Facebook, Twitter e um canal no YouTube. As projeções de volume de negócios para 2013 são de 70 milhões de dólares (54,08 milhões de euros), revelou a criadora de moda, um aumento em comparação com os 52 a 53 milhões de dólares em 2012. Embora 80% do negócio da empresa esteja nos EUA, a parte que está no estrangeiro é vista como a maior oportunidade de crescimento. A empresa pretende abrir cinco lojas a retalho nos próximos dois a três anos, incluindo na China. «Não temos nenhum plano específico mas definitivamente é um dos locais para onde estamos seriamente a apontar», afirmou. «E vamos abrir lojas na Coreia, isso está já na fase de planeamento», acrescentou. Os chineses tornaram-se nos principais consumidores de produtos de luxo, representando mais de um quarto do mercado mundial e com procura crescente, segundo o relatório da consultora Bain & Co. Embora o crescimento na China tenha abrandado no ano passado, a Bain está ainda a prever um crescimento de 4% a 6% por ano para o mercado de luxo mundial até 2015. «Quando acontecer na China, Coreia e aqui [Japão] vai ser um trio realmente bom porque sempre tivemos ótimos clientes destes três locais», referiu Minkoff. «Tivemos interesse da Índia mas queremos consolidar-nos nestes locais… Não queremos expandir-nos demais. Queremos ficar fortes e que cada local seja estável», concluiu.