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Olmac a um passo do Canadá

Anteriormente conhecida enquanto produtora de pijamas, a Olmac já veste o casaco para sair à rua. Depois de enveredar pela área do vestuário técnico, correu a Europa toda e instalou-se no mercado internacional, até chegar aos EUA. O próximo destino está à distância de um passo até ao Canadá.

Orlando Miranda

Mammut e a Fjällräven são apenas duas das marcas servidas pela empresa de Famalicão que se situam no espaço europeu. A acompanhar os mercados da Suíça, Suécia, Alemanha, Escandinávia e Itália, estão, na outra ponta do mapa, os EUA, com um peso de 5% sobre um volume de exportação que engloba praticamente a totalidade da produção da Olmac.

Impulsionada por um «decréscimo do mercado europeu», nas palavras do CEO, Orlando Miranda, a empresa propôs-se a procurar novos mercados e aponta agora a proa rumo ao Canadá. «Os EUA, ao importarem um produto de Portugal, têm de pagar uma taxa alfandegária», o que «faz com que deixemos de ser competitivos» relativamente à concorrência, explica ao Jornal Têxtil. Pelo contrário, «o Canadá é isento», acrescenta.

Neste momento, a Olmac ainda está em fase de «prospeção de mercado», sublinha o CEO. Antes de avançar, é preciso garantir que «conseguimos atingir os objetivos que estipulamos e os clientes específicos que queremos», aponta.

Linha verde

Para acompanhar a travessia do Atlântico, a especialista em vestuário apresenta uma «gama de produtos sustentáveis, que engloba o algodão orgânico, o poliéster reciclado, misturas de poliéster reciclado com lã e de algodão orgânico com poliéster reciclado e ainda o cânhamo», enumera Orlando Miranda. Apesar destas fibras não serem novidade num meio em que a sustentabilidade domina a atualidade, o CEO argumenta que é importante ter «algumas peças executadas com estas qualidades para podermos expor a funcionalidade e aplicabilidade».

Com uma produção anual que varia entre as 700 e as 800 mil peças, a Olmac tem dentro de portas os processos de corte, acabamento, termocolagem, aplicação de transferes, modelagem, bem como parte da confeção, subcontratando a restante parcela, juntamente com a estamparia, bordados e serviços de laser. No ano passado, a empresa concretizou um investimento de cerca de 2 milhões de euros na «restruturação de instalações fabris, num novo armazém de matérias-primas e sector de corte», revela Orlando Miranda.

Ao fechar o ano passado com um volume de faturação – na ordem dos 11 milhões de euros – inferior ao de 2018, o CEO mantém-se reservado relativamente às expectativas para o futuro. «O mercado não está muito favorável», admite, mas «o maior desafio é conseguir vender ao mesmo preço com a subida que se registou do nível salarial», considera Orlando Miranda. Face à concorrência crescente de outros mercados, como a Bulgária, Lituânia, Letónia e a Polónia, «torna-se cada vez mais difícil ser-se competitivo [pelo preço], porque estes países têm salários que são metade, ou menos de metade, dos nossos». 2020 deverá ser, por isso, um ano para «manter e atingir o mesmo valor [no volume de negócios]», conclui.