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Olmac vence na diversificação

Começou pelos pijamas, mas a leitura do mercado levou a empresa fundada por Olímpio Miranda a acertar as agulhas para o vestuário técnico, num percurso de quase 40 anos que a colocou como uma referência incontornável para uma carteira de clientes onde constam marcas como a Mammut e a Fjällräven.

Em 1979, quando Olímpio Miranda, juntamente com a esposa, decidiu avançar para a criação de uma empresa, a confeção dedicava-se à resposta aos pedidos de subcontratação. Pouco tempo depois, contudo, numa altura em que quase não se ouvia falar de marcas próprias em Portugal, a Olímpio Miranda Lda. criou a marca própria de pijamas Olmac – o nome que é hoje usado comercialmente para designar a empresa – e, a partir de 1985, avançou para a internacionalização.

O passo seguinte abriu as portas do vestuário técnico. «Hoje temos um leque abrangente de produtos, que vai desde a área do underwear masculino ao vestuário de proteção para bombeiros, busca e salvamento, produtos para o equivalente ao INEM da Suíça e Alemanha, montanhismo, desportos de inverno…», explicou Orlando Miranda, num artigo publicado na edição de outubro do Jornal Têxtil.

O vestuário técnico representa 93% das vendas da Olmac, com os restantes 7% a serem dedicados a artigos de moda. «O facto de nos termos tornado polivalentes foi uma mais-valia para a empresa e deu-nos um suporte, quer em termos de know-how, quer em termos de capacidade financeira, sobretudo na crise de 2008, porque não estávamos dependentes de um tipo de produto. Ainda hoje andamos sempre à procura de outro tipo de produto», admitiu o CEO, que acompanhou os pais desde o início da empresa.

Investir na diferença

Prova disso é o mais recente projeto da empresa, para um contrato até 2020 com um novo cliente. «É vestuário de trabalho mas com um conceito de moda. Tem características técnicas – impermeável, corta-vento, membranas… – mas incorpora um conceito de moda, em que o funcionário, no fim do seu horário laboral, poderá usar», indicou Orlando Miranda.

Embora tenha confeção dentro de portas, a mesma é usada essencialmente para amostras, protótipos e pequenas séries, com mais de 90% da produção a ser realizada em regime de subcontratação. «Sempre em Portugal», sublinhou Isabel Miranda, parte da terceira geração – juntamente com dois primos – que já ocupa funções na empresa familiar.

E não há intenção de mudar de modelo de negócio. «Chegamos à conclusão, com a variedade de produto que temos, que tínhamos de ter uma linha de montagem enormíssima, não conseguíamos abranger todo o tipo de produto», reconheceu o CEO.

A empresa, que emprega 115 pessoas, distribuídas pelo corte, confeção, departamento comercial e de qualidade, está, no entanto, a realizar novos investimentos, no valor de 2 milhões de euros, para remodelação de infraestruturas. «A área do corte, com a aquisição de uma nova mesa de corte, e de armazém serão os focos», revelou Orlando Miranda.

Ir mais longe

Outra área em que houve investimento este ano foi na internacionalização. Apesar de ter uma quota de exportação de 97% e uma lista de 25 clientes onde constam, como principais nomes, a suíça Mammut e a sueca Fjällräven, a empresa esteve pela primeira vez na Ispo Munich (ver Um mundo de inovações) para prosseguir a sua estratégia de diversificação. «Temos seis ou sete clientes para os quais estamos em fase de desenvolvimento e são tudo clientes da Ispo Munich», desvendou o CEO ao Jornal Têxtil.

Com um volume de negócios de 10,7 milhões de euros em 2016, as perspetivas para este ano são chegar aos 12 milhões de euros e, em 2020, atingir a meta dos 20 milhões de euros. Até lá, há oportunidades – como o interesse crescente do mercado norte-americano – mas também dificuldades a ultrapassar.

«Uma das coisas é a falta de responsabilidade de quem está na nossa retaguarda. Ninguém cumpre um prazo. E com alguns clientes temos de assinar contratos em que, por cada semana de atraso, temos que dar descontos de 5%. Mas se eu for a um fornecedor meu e pedir um contrato desses, ninguém me vende mais nada», lamentou Orlando Miranda.

O outro problema é a falta de mão de obra. «Em Portugal, temos de enveredar por um caminho diferente, por um produto de alta qualidade, em que vamos pagar um salário mais alto mas exigimos mais das pessoas», defendeu o CEO.