Início Arquivo

OMC: Acordos de livre comércio são maus para o negócio

A Organização Mundial de Comércio (OMC) emitiu um relatório no final de Março criticando as iniciativas dos EUA no âmbito do estabelecimento de acordos de livre comércio. O relatório refere que os acordos de livre comércio dos EUA geram interesses políticos noutros países, os quais complicam o desenvolvimento do processo multilateral. De acordo com o publicado pela Forbes, um grande número de acordos de livre comércio foi negociado ao longo dos últimos anos. Um argumento em favor destes acordos é o referido pelo responsável norte-americano do comércio Rob Portman na sua resposta às críticas da OMC. Segundo Portman, na ausência de progresso ao nível multilateral, estes acordos geram uma dinâmica contínua no processo de liberalização do comércio. No entanto, diversos acordos de livre comércio possuem uma maior abrangência em termos de política externa, com reduzido conteúdo em termos de liberalização comercial. Efectivamente, estes acordos podem possuir um efeito prejudicial na eficiência económica internacional, na medida em que fragmentam os mercados, à semelhança do que as políticas económicas nacionais fizeram no passado. O resultado é a divergência do comércio em vez da criação de comércio. Apesar destas questões, diversos países possuem apenas alguns parceiros comerciais críticos e esperam alcançar acordos com estes parceiros de forma a encontrar e formar uma estrutura para o crescimento futuro. Considerações políticas e estratégicas limitam a selecção de parceiros para negociação. Esta abordagem procura fundamentalmente alicerçar os actuais parceiros comerciais, servindo assim para apoiar os actuais relacionamentos. Importantes relacionamentos comerciais estratégicos, quer sejam no fornecimento de energia, ou de tecnologias relacionadas com a indústria de defesa ou aeroespacial, permanecem fora do sistema multilateral de comércio e podem assim ser utilizados como pagamento paralelo, ao mesmo tempo que são negociados os acordos regionais. Os acordos de livre-comércio, principalmente com os EUA, podem também abranger acordos paralelos ao nível de questões relacionadas com o investimento, trabalho e ambiente que não seriam possíveis ao nível multilateral. Apesar da existência de diversas medidas que podem ser utilizadas para avaliar o impacto dos acordos de livre comércio, uma que não é discutida na generalidade está associada com o seu impacto na actividade de negócio e comercial. Um importante indicador é o aparecimento de uma nova geografia comercial: A emergência da China como um dos principais consumidores de matérias-primas surge como um bom exemplo. Esta nova tendência originou um aumento no preço internacional dos produtos de base (ex: metais, energia, petróleo) pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, e é de grande relevância política e comercial para muitos países em desenvolvimento. As estratégias de investimento são redireccionadas para alinhar com estes novos padrões comerciais. Os investimentos estão agora a fluir no sentido de apoiar as novas oportunidades económicas, frequentemente com a China e a Índia a assumirem a liderança. O crescimento do comércio entre os países do hemisfério Sul tem sido particularmente significativo na ligação de mercados e produtores na Ásia, África do Sul e América Latina em novas estruturas de mercado. O desenvolvimento nos países em desenvolvimento de um mercado significativo de serviços dependentes da exportação não tem sido apoiado pelos acordos de livre comércio. Os acordos de livre comércio não estão a criar modelos para a dinâmica do futuro crescimento económico, nem estão a corresponder às eficiências económicas de escala que os economistas referem como sendo a razão de base para a integração económica global. Em termos políticos, esta situação sugere que os interesses dos produtores ainda dominam os processos de política interna na maior parte dos países do mundo. A arquitectura de um sistema de comércio multilateral vocacionado para o futuro está a receber uma atenção limitada. Os acordos de livre comércio satisfazem fundamentalmente os objectivos políticos, em conjunto com objectivos comerciais limitados e fundamentalmente proteccionistas. Os interesses de longo prazo dos investidores e do negócio seriam mais beneficiados através de um processo multilateral. Por outro lado, a actual situação sugere que a separação dos actores comerciais do processo multilateral vai efectivamente prejudicar os seus próprios interesses no longo prazo.