Início Notícias Retalho

Omnicanal é a chave de 2017

As vendas no retalho dos EUA, excluindo automóveis e gasolina, deverão crescer entre 3% a 4% em 2017, segundo um relatório divulgado pela Fitch Ratings. Mais de metade desse aumento ocorrerá online, enquanto a expansão das lojas estará limitada a 1%.

A Fitch Ratings prevê que retalhistas como a Dollar Tree, Burlington Stores, Levi Strauss, Coach e J.C. Penney conheçam uma trajetória positiva, enquanto a Sears, Claire’s, Gymboree, Abercrombie & Fitch, Vince e BonTon enfrentarão desafios significativos.

Neste novo ano, o investimento nos serviços omnicanal será fundamental. «O foco nos serviços e experiências está aqui para ficar, de modo que a linha entre os melhores e os piores vai ser, cada vez mais, determinada por aquilo que os retalhistas respondem a uma paisagem em constante mutação», afirma David Silverman, diretor das corporações norte-americanas na Fitch Ratings, ao portal Retail Dive.

O sector do retalho está a atravessar um período de transformação, com as expectativas dos consumidores de rapidez e conectividade a desafiarem quer as lojas físicas, quer os atores de comércio eletrónico.

Para 2017, a Fitch Ratings antecipa que o omnicanal será um desafio omnipresente no retalho e os seus atores terão de se adaptar às técnicas e táticas desta performance híbrida. «Os retalhistas estão no primeiro dos três estágios da construção do omnicanal», revela Robin Lewis, CEO da publicação de retalho The Robin Report e ex-executivo da VF Corp. à Women’s Wear Daily. «Alguns deles, estão mais longe do que outros, a Macy’s e a Nordstrom estão mais longe do que a maioria, mas estão todos nos estágios iniciais», explica.

A Dollar Tree é uma das retalhistas que a Fitch Ratings espera ver crescer em 2017, o que não é necessariamente uma surpresa: cada vez mais consumidores estão a comprar em cadeias de desconto.

A J.C. Penney também deverá ter uma boa performance em 2017. A retalhista conseguiu ganhos significativos no seu plano de rebranding este ano, uma vez que continua a compensar a quebra nas vendas de vestuário com novas parcerias para aumentar a sua gama de eletrodomésticos e bens de consumo.

Por outro lado, a Sears deverá enfrentar um ano ainda mais difícil. Apesar das injeções de capital, os planos de reestruturação da retalhista não deverão dar frutos já em 2017. Este ano, a Sears Holdings anunciou quase 100 encerramentos de lojas, entre as suas unidades Sears e Kmart. No final do ano passado, a retalhista divulgou o seu 20º declínio trimestral consecutivo e anunciou que mais lojas não lucrativas vão fechar portas em 2017.

Para Neil Saunders, CEO da consultora de retalho Conlumino, a Sears é como o “Titanic”. «Na nossa opinião, a Sears está agora numa trajetória de fracasso», admite. «A Sears pode contestar isso, assim como no “Titanic”, quando Joseph Bruce Ismay garantiu: “este navio não pode afundar”, mas Thomas Andrews contrapôs: “asseguro-lhe que pode, e vai. É uma certeza matemática”», satiriza.