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Omnishoring entra no dicionário têxtil

Depois de uma forte onda de offshoring, os empresários que deslocalizaram a produção para o exterior, sobretudo para países de mão de obra barata, reconheceram recentemente os limites do modelo, especialmente se no sector da moda. A solução, porém, já foi encontrada – o futuro pertence ao omnishoring.

Os limites do offshoring incluem, entre outros, os custos de logística, o controlo de qualidade e a dificuldade de coordenação, assim como a contrafação, o impacto negativo no meio ambiente e as condições de trabalho precárias.

As tendências de moda estão, também, a mudar cada vez mais rápido, tornando problemáticas as extensas e intrincadas cadeias de aprovisionamento face às necessidades de pequenas séries e de resposta rápida.

A indústria da moda é um caso particularmente interessante, uma vez que a mão de obra intensiva – na costura, que ainda não foi automatizada – fez com que muitas empresas se deslocalizassem para reduzir os custos.

Um estudo recente do Boston Consulting Group mostrou uma redução na disparidade entre os custos de mão de obra na China e nos EUA devido ao aumento dos custos na China e ao incremento da produtividade nos EUA.

O documento refere, assim, que em várias indústrias está a assistir-se a uma vaga de reshoring – com o regresso da produção a casa.

A par do reshoring, outra expressão que tem vindo a ganhar força, devido à aposta crescente no aprovisionamento de proximidade no Leste da Europa e América Central, é o nearshoring (ver O aprovisionamento de proximidade). A Indústria 4.0 também está a transformar o horizonte da produção de moda, incentivando o aprovisionamento de proximidade.

A verdade é que, embora a deslocalização possa reduzir determinados custos, reduz também a capacidade de inovação das empresas.

A próxima palavra-chave: omnishoring

Uma análise aprofundada a 20 empresas de moda europeias, realizada por Celine Abecassis-Moedas e Valerie Moatti no âmbito da iniciativa “Moda e Tecnologia” da escola de negócios ESCP Europe em parceria com a Lectra, pinta um quadro mais complexo.

As empresas europeias percebem os destinos de sourcing de forma diferente, dependendo se estão distantes (na Ásia) ou próximos (na Europa, Turquia ou norte de África), em vez da dicotomia usual do sourcing local versus distante.

A produção no país de origem é praticamente inexistente. Nenhuma das empresas estudadas regressou ao país de origem depois de se ter deslocalizado para um destino de sourcing distante, mas algumas mudaram para destinos de sourcing próximos – nearshoring. A maioria das empresas garante metade da sua produção em destinos próximos.

Todas as empresas estudadas gerem um portefólio complexo de destinos de sourcing, colocando determinados produtos em locais específicos (jeans na Turquia, por exemplo) ou colocando os mesmos produtos em diferentes locais, dependendo do ciclo de vida do produto. Estas práticas são aglomeradas na expressão “omnishoring”, ou seja, um portefólio complexo de vários destinos de sourcing (próximos e distantes), de acordo com os produtos e o seu grau de inovação, que se complementam.

Algumas empresas produzem ainda em países distantes com os quais têm alguma proximidade cultural – por exemplo, as empresas britânicas escolhem muitas vezes a Tailândia, por causa do inglês. Outras aprovisionam-se em locais distantes em instalações próprias ou através de parcerias, o que permite um maior controlo e uma coordenação mais forte.

Finalmente, o uso de tecnologias de produção e comunicação (PLM, design 3D…), intermediários ou viagens regulares de designers a empresas assumem-se, também, fortes mecanismos de coordenação.