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Onda ética” apanha Tesco

O grupo britânico de supermercados Tesco é o mais recente retalhista confrontado com alegações de exploração dos trabalhadores que produzem o seu vestuÁrio, depois de dois grupos de direitos do trabalhadores do Reino Unido terem revelado que os salÁrios de um dos seus fornecedores na índia é de apenas 0,16 libras (cerca de 0,20 euros) por hora. A War on Want e a Labour Behind the Label afirmam que os trabalhadores de uma fÁbrica de vestuÁrio em Bangalore estão a lutar para sobreviverem com menos de 1,5 libras por dia, com uma semana de trabalho de 60 horas. Este valor, afirmam os grupos, é apenas metade do salÁrio necessÁrio para uma pessoa conseguir viver, acrescentando que o aumento de 20% nos preços do arroz estÁ a tornar a vida destas pessoas ainda mais difícil. A acusação segue-se ao documentÁrio de 23 de Junho da BBC, que mostrou trabalhadores, incluindo crianças, em fÁbricas com mÁs condições e campos de refugiados a produzir vestuÁrio para a cadeia Primark. Na sequencia da emissão, a Primark renunciou contratos com os três fornecedores visados (ver Uma questão de ética). Também o grupo espanhol Inditex forçou um dos seus fornecedores a fechar uma fÁbrica de vestuÁrio na capital do Bangladesh após ter verificado a existência de mÁs condições de trabalho no local (ver Zara fecha fÁbrica). De acordo com a investigação conduzida pelos dois grupos, os empregados da fÁbrica que produz para a Tesco ganham em média 38 libras (cerca de 48 euros) por mês, e o funcionÁrio mais mal pago recebe 30 libras. Um valor muito inferior ao calculado pelo sindicato dos trabalhadores têxteis e de vestuÁrio de Bangalore que, no ano passado, estabeleceu como mínimo necessÁrio à sobrevivência um salÁrio de 52 libras por mês. Segundo os mesmos grupos, os funcionÁrios queixaram-se ainda que os patrões forçam-nos a trabalhar horas extraordinÁrias sob ameaça de os despedir e pagam-lhes apenas metade das horas extra que trabalham. Os trabalhadores afirmaram também que a elevada pressão para produzir as encomendas significa que podem ser despedidos se não conseguirem atingir o dobro dos objectivos, se pedirem licença por doença ou se chegarem atrasados durante dois dias consecutivos. A fÁbrica não reconhece a união sindical e alguns trabalhadores temem que os administradores estejam a “marcÁ-los” para eventuais despedimentos por serem membros do sindicato – o que iria contra o código de conduta ético da Tesco. Contudo, a Tesco rebateu as alegações, considerando-as infundadas». A retalhista enviou um comunicado afirmando que temos tentado discutir a nossa abordagem ao comércio ético com a War on Want hÁ jÁ algum tempo mas eles simplesmente ignoram as nossas chamadas. E agora, do nada, fazem estas alegações sem produzirem qualquer prova e sem nos darem qualquer detalhe das fÁbricas onde afirmam que hÁ problemas. Isso significa que não podemos investigar». A empresa afirma ainda que insistimos nos padrões elevados e vamos longe para assegurar que os nossos fornecedores os cumprem. Se hÁ algum problema numa fÁbrica que fornece a Tesco, vamos tratar dele e assegurar que os interesses dos trabalhadores são protegidos».