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Onde produzir vestuário mais barato? – Parte 1

Com a confirmação do fim das quotas impostas pela União Europeia e Estados Unidos a partir de 31 de Dezembro do corrente ano, muitas empresas começam a dar cada vez mais importância aos respectivos custos de produção.

 

Mas na opinião de Mike Flanagan, num recente artigo publicado no Just-style.com, não existe praticamente nenhuma relação directa entre o custo do vestuário e os respectivos custos laborais, e aquilo que realmente conta é o custo total e a rapidez com que a peça de roupa chega à prateleira da loja.

 

Em Março passado, um grupo de organizações dos Estados Unidos e da Turquia, incluindo a Associação Turca de Empresários Têxteis e a Associação Americana de Fabricantes e Comerciantes, assinaram uma petição, dirigida aos governos de todo o mundo, e com o intuito de as proteger do “mundo real”.

 

A sua intenção, prossegue de Mike Flanagan, ficou expressa na pomposamente baptizada “Declaração de Istambul do Comércio Justo nos Têxteis e Vestuário”, que estimulava os Estados Unidos e a União Europeia a renegar o seu anterior compromisso em abolir as quotas no comércio de têxteis e vestuário no final deste ano, no que foram seguidos por grupos de pressão semelhantes do México e África.

 

Quando os governos mundiais se reuniram na cimeira da Organização Mundial de Comércio em Genebra, duas semanas mais tarde, reagiram à referida Declaração de Istambul, ignorando-a diplomaticamente.

 

Na ocasião, os representantes da União Europeia e dos Estados Unidos, reafirmaram que a intenção de eliminar todas as quotas sobre o comércio de têxteis e vestuário, a partir de 1 de Janeiro de 2005, é efectivamente irreversível.

 

Assim, os principais países importadores do mercado dos têxteis e vestuário, preferem simplesmente ignorar a torrente de pedidos, no sentido de adiar esta “data fatídica”, embora o façam de um modo tão diplomático que poucos se apercebam disso, acrescenta o autor do artigo do Just-style.com.

 

Por surpreendente que pareça, alguns empresários e profissionais deste sector ainda partem do princípio que a abolição das quotas nunca acontecerá, e muitos deles ainda mostram surpresa e dúvidas de que a mesma realmente aconteça.

 

Ao mesmo tempo, e à medida que estas pessoas se consciencializam de que o fim das quotas é inevitável, chovem os pedidos de listagens dos custos laborais, por todo o mundo.

 

Voltemos por momentos há uma década atrás, quando os países ricos tinham empresas que empregavam trabalhadores para coser as peças de vestuário, nos seus mercados internos, como era o caso da Alemanha e dos Estados Unidos.

 

Para estas empresas de têxteis e vestuário, o custo da mão-de-obra era o principal custo na produção de artigos de vestuário, embora isso não se reflectisse no custo total da roupa, no qual o tecido era, e continua a ser, o maior custo.

 

Ao deslocarem a sua produção para o estrangeiro, muitas vezes apenas algumas centenas de quilómetros, para lá da fronteira com a Polónia ou o México, estes custos desceram vertiginosamente, e na maior parte dos casos, estas poupanças vieram a reflectir-se nos custos totais do vestuário.

 

Esta deslocação da produção reduziu os custos com mão-de-obra, em média, em cerca de 80%, e implicou uma baixa de 10-20% nos preços finais das peças de vestuário.

 

No entanto, houve outras mudanças, nomeadamente ao nível do custo dos restantes factores produtivos, levando os fabricantes de vestuário a procurarem outros países onde, além do preço da mão-de-obra, os restantes factores fossem igualmente mais baratos.

Esses países existem, e temos como exemplos a Indonésia, o Cambodja ou o Bangladesh, e assim o trabalho, nas economias de baixa escala, torna-se assim um valor menor no custo do vestuário, não ultrapassando, em média, os 7%.