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Online fortalece Next

2018 foi um ano «desafiante» para a gigante do Reino Unido, que continua a ter no canal online a sua principal força, num ano em que as vendas nas lojas físicas continuaram a cair. A Next garante ainda que o Brexit não tem afetado as compras dos britânicos.

Segundo a Next, 2018 foi um ano «de mudanças estruturais no negócio, com as vendas a serem transferidas das lojas para o online». Sendo uma das maiores retalhistas do Reino Unido, que gere uma rede de mais de 500 lojas e na Irlanda e cerca de 200 lojas em 40 países estrangeiros, admite que o ano fiscal, até janeiro, foi um desafio.

No ano fiscal que terminou em janeiro, os lucros antes de impostos da retalhista diminuíram 0,4% para 722,9 milhões de libras (cerca de 844 milhões de euros), de acordo com as estimativas. Ainda que o lucro nas lojas físicas tenha diminuído 21%, no canal online aumentou 13,8%. O lucro líquido caiu ligeiramente, para 590,4 milhões de libras, em relação aos 591,8 milhões de libras do ano anterior. O grupo estima que, no atual ano fiscal, os lucros diminuam em cerca de 1,1%, para 715 milhões de libras.

Vendas mais positivas online

Até janeiro, as vendas totais do grupo foram de 4,2 milhões de libras, com as vendas a preço total a subirem 3,1%. Este valor incluiu um crescimento de 14,8% nas vendas online e um decréscimo de 8% nas lojas físicas. As vendas nas lojas decresceram para 1,95 mil milhões de libras, em relação aos 2,12 mil milhões de libras do ano anterior, enquanto as vendas online aumentaram para 1,91 mil milhões de libras, em relação as 1,67 mil milhões de libras do ano anterior. Os números revelam a importância do digital, com a balança a pesar cada vez mais do lado do comércio eletrónico.

Na divulgação de resultados, a Next aponta que a internet «tem sido positiva para os consumidores. Criou um acesso sem precedentes a uma extensa oferta de produtos. Além disso, as redes de entrega são mais rápidas, mais eficientes e mais baratas do que nunca. De uma maneira ou outra, cada vez menos vestuário, artigos para casa, dispositivos eletrónicos e comida vão ser vendidos nas lojas, pois serão, cada vez mais, vendidos online. Acreditamos que este mercado representa uma ameaça a longo prazo para o nosso segmento de venda a retalho, todavia, será, potencialmente, uma grande oportunidade para o grupo no seu todo. Como resultado, cerca de metade das compras online são entregues nas lojas. Estas entregas, ainda que tenham um menor valor do que outras as entregas em casa, representam um terço do nosso volume de negócios do segmento online», revela.

Espaços físicos ainda são essenciais

A Next admite ainda que «a mudança online não é tão linear quanto parece» e que as lojas físicas continuarão a ter o seu papel. «Há um menor custo para nós nas entregas de encomendas online nas nossas lojas do que na casa dos nossos clientes. Para muitos consumidores, o serviço de recolha em loja não só é mais barato, como também é mais conveniente do que ficar em casa à espera de receber a encomenda. Acrescente-se que cerca de 80% das devoluções dos produtos comprados online são feitas através das lojas, por isso, o espaço físico e o staff continuam a ser centrais para o serviço que oferecemos online», ressalva. Contudo, a Next admite que ainda tem demasiado espaço físico, que representa custos elevados.

Ao just-style.com, Kate Ormrod, analista principal na GlobalData, aponta que, apesar de um novembro «desastroso» e de um “aviso de lucro” no início de janeiro, a Next consegui ultrapassar o ano fiscal 2018/2019 ilesa, em comparação com os seus pares, Debenhams ou Arcadia. «A pressão nas lojas físicas continua a crescer. Enquanto o negócio da Next está a ser impulsionado pelo seu impressionante negócio online – que representa 46,5% das receitas – a sua operação de venda a retalho continua a passar por dificuldades. Enquanto os fracos resultados nas lojas físicas poderiam deixar muitos a pensar que a sua oferta é pouco atrativa, as vendas totais da Next cresceram 8,3% no Reino Unido, demonstrando que ainda há procura. A retalhista tem aqui uma grande oportunidade de absorver as vendas de marcas como a Marks & Spencer e Debenhams, contudo, ainda há algum espaço para melhorias em termos de design e de moda, de modo atrair clientes com menos de 40 anos», acrescenta.

Brexit não afeta compras

De acordo com o CEO da Next, Simon Wolfson – um forte apoiante do Brexit –, caso o Reino Unido saia da União Europeia (UE) sem acordo, a retalhista poderá poupar cerca de 15 milhões de libras e chegar mesmo a reduzir os preços.

Wolfson acrescenta que os consumidores parecem «insensíveis às mudanças diárias do debate político» acerca do Brexit e que há «não há provas que esteja a afetar a procura por artigos de moda», citado pelo WGSN.

A possível poupança tem como base os cortes de tarifas definidos pelo Governo britânico, no caso de o país sair sem acordo da UE. «A médio prazo, a nossa intenção seria fazer com que a redução chegasse aos consumidores, em forma de preços mais reduzidos», revela o CEO da Next.