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Online prepara-se para superar lojas físicas

Em 2028, os consumidores mais jovens irão representar metade da população adulta. Segundo um estudo da Retail Economics, daqui a menos de 10 anos mais de metade das compras serão realizadas online, ainda que as lojas flagship continuem a atrair consumidores.

De acordo com o relatório “The Digital Tipping Point, da Retail Economics”, na próxima década, mais de metade das compras (53%) serão efetuadas no mundo digital, uma subida considerável em relação aos 19% atuais. Em 2028, os millennials mais velhos terão cerca de 50 anos, o que significa que as gerações que cresceram com a internet irão representar cerca de metade da população adulta.

O relatório, que se debruça sobre a realidade do Reino Unido, refere que este crescimento será impulsionado por três fatores essenciais: as alterações demográficas da população adulta britânica, as entregas mais baratas e a redução do número de lojas físicas. A Retail Economics alerta que, atualmente, os retalhistas, quando apostam em novas tecnologias, não priorizam potenciais riscos, como a segurança de dados, que são essenciais para se ser bem-sucedido no mundo digital.

Nativos digitais

Olhando para os números atuais, a pesquisa mostra que 62% dos inquiridos entre 16 e 24 anos (geração Z) realiza compras online pelo menos de duas em duas semanas (comprado com 29% dos inquiridos com mais de 65 anos), o que representa uma média de três compras online por mês. Além disso, os millennials são os que mais gastam dinheiro digitalmente: uma média de 43,32 libras (cerca de 48 euros) por compra online, ou seja, cerca de 110.45 libras por mês.

Mais de metade (53%) dos consumidores da geração Z admite que são os smartphones que mais os influenciam a conhecer novas marcas e retalhistas, o que acontece com apenas 3% dos adultos com mais de 65 anos.

Contudo, quase um quarto dos inquiridos da geração Z refere que há uma maior probabilidade de optar por lojas físicas e centros comerciais, o que mostra a complexidade dos consumidores e a importância das experiências de compra para esses jovens consumidores.

A importância das entregas

Os três principais fatores mais atrativos das compras online são as entregas mais baratas (47%) e mais rápidas (26%) e, ainda, devoluções mais fáceis (26%). As devoluções mais fáceis são mais importantes para a geração Z (28%) e para a geração Y (30%) do que para qualquer outra faixa etária. Além disso, a tendência de realizar entregas enquanto os consumidores estão fora de casa tem vindo a crescer e prevê-se que deverá aumentar.

O que também está a impulsionar a aceleração das compras online são os modelos de negócio emergentes como as subscrições, que garantem que os consumidores voltam a comprar online. Depois de cinco anos consecutivos de encerramentos de lojas físicas e com o declínio da adesão às lojas e centros comerciais, a tendência deverá continuar a crescer. Na verdade, 10% dos consumidores estimam que irão comprar menos artigos em lojas físicas nos próximos 12 meses, superando os que sugerem que irão comprar com mais frequência no retalho físico.

Com mais consumidores a dirigirem-se para o canal online, a procura por espaços de venda atingiu os níveis de 2007. As lojas flagship estão a tornar-se cada vez mais importantes destinos de compras, atraindo muitos consumidores, enquanto outras localizações secundárias, com níveis reduzidos de adesão, permanecem sob pressão.

Mudanças sem precedentes

O porta-voz da Retail Economics, Richard Lim, explica que «não é exagero dizer que a indústria do retalho vive um momento de mudanças sem precedentes. Apesar das atuais ondas de agitação política e económica, este trabalho que realizámos junto dos retalhistas sugere que isto é uma mera distração das alterações estruturais que estão a remodelar o cenário do retalho. Os mais bem-sucedidos retalhistas sempre tiveram que se reinventar para permanecerem relevantes. No entanto, o ritmo de mudança será, inevitavelmente, demasiado rápido para muitos – como mostram os constantes encerramentos de lojas. Enquanto o impacto da tecnologia e a sua aceitação por parte dos consumidores são ainda incerta, não há dúvidas que a revolução digital do retalho está apenas a começar».

Os riscos do futuro virtual

O estudo aponta que há também potenciais riscos para os retalhistas que não priorizem a segurança de dados quando abraçam novas tecnologias necessárias para serem bem-sucedidos no futuro. Enquanto os consumidores exigem melhores tecnologias por parte dos retalhistas para uma excelente experiência de compras, também estão cada vez mais conscientes da necessidade de proteger os seus dados pessoais. Mais de um quarto dos inquiridos reconhece ter tomado ações para limitar a os dados que partilham com as empresas. A preocupação atinge quase um terço dos inquiridos entre os 16 e 24 anos.

Em relação à partilha de dados, o relatório mostra que os consumidores acreditam, de modo geral, que as empresas beneficiam muito mais da partilha do que os clientes. Na verdade, dois terços defendem que quem beneficia mais da partilha de dados são as empresas, comparado com 8% que consideram que são os consumidores que mais beneficiam. Entretanto, apenas um quarto (26%) dos britânicos acredita que há uma igual partilha de valor.

As recompensas financeiras, sejam produtos gratuitos ou com descontos, figuram entre as principais razões que levam os consumidores a partilhar os seus dados. «O retalho digital está a crescer rapidamente, devido a uma combinação de fatores, e os que conseguirem adaptar os seus modelos de negócio vão, rapidamente, atingir o topo», garante Gavin Matthews, diretor de retalho da Womble Bond Dickinson, ao just-style.com. «Porém, à medida que os retalhistas potenciam as novas tecnologias para suportar este crescimento, irão emergir novos riscos. Os consumidores estão cada vez mais conscientes da necessidade de proteger os seus dados pessoais e a sua privacidade, de modo a reduzir o risco de fraude, de roubo de identidade e o uso indevido dos seus dados. Qualquer violação poderá abalar fortemente a imagem e reputação de uma marca ou retalhista e a perda de confiança pode ter fortes consequências para qualquer empresa», conclui.