A segunda política têxtil do Paquistão pretende duplicar as exportações de têxteis e vestuário do país para 26 mil milhões de dólares (cerca de 23,3 mil milhões de euros) nos próximos cinco anos, tentando aproveitar por completo os benefícios do programa GSP+ da UE. O plano ambicioso para o período de 2014 a 2019 prevê o investimento de 65 mil milhões de rupias paquistanesas (571,8 milhões de euros) em subsídios e no desenvolvimento de infraestruturas para atrair investimentos de 5 mil milhões de dólares no sector, segundo Abbas Khan Afridi, ministro federal da indústria têxtil. As medidas propostas vão promover o acréscimo de valor e gerar emprego para mais de cinco milhões de pessoas, indicou o ministro. Sob esta política, os exportadores de têxteis e vestuário do Paquistão serão ajudados por subsídios de 4% sobre as exportações de vestuário em tecido e malha, 2% sobre outros artigos têxteis confecionados e 1% sobre tecidos tingidos e estampados. O pagamento será baseado no aumento das exportações realizado no ano fiscal de 2013-2014 em comparação com 2012-2013.

Outras iniciativas-chave sob a nova política incluem a criação de um fundo para atualização de tecnologia, taxas de juro baixas para empréstimos e importação sem impostos de maquinaria para produtores de vestuário. Os empréstimos sob o programa de financiamento às exportações serão fornecidos a uma taxa de juro de 7,5% aos exportadores de vestuário.

A política irá também focar-se nas pequenas e médias empresas para melhorar o sector de tecelagem doméstico, criar clusters para a indústria têxtil, cidades industriais, parques de vestuário e uma cidade de tecelagem em Faisalabad; e na introdução de centros de desenvolvimento de produtos para alargar a gama de produtos a vestuário de criança, lingerie, moda balnear, têxteis técnicos, geotêxteis e têxteis para aplicação na medicina, juntamente com unidades de formação para os trabalhadores têxteis. SM Tanveer, presidente da All Pakistan Textile Mills Association, afirma, contudo, que «a política fica atrás dos planos para o têxtil» que estão a ser implementados na Índia e no Bangladesh. O Bangladesh está também a tentar duplicar as suas exportações de vestuário para 50 mil milhões de dólares nos próximos sete anos.

Tanveer também apelou às autoridades para responderem às questões estruturais – incluindo a oferta de energia a um preço competitivo –, advertindo que a não ser que isso seja feito, os objetivos não serão alcançados. Muhammad Jawed Bilwani, presidente do Pakistan Apparel Forum, descreve a política como «orientada para o crescimento» e expressou a esperança de que «beneficie bastante o sector têxtil e impulsione as exportações de vestuário». Esta é a segunda política têxtil do Paquistão sob a alçada do Ministério dos Têxteis do país. O primeiro plano quinquenal foi anunciado em 2009 com o objetivo de reestruturar a indústria, investindo 188 mil milhões de rupias paquistanesas. Mas apenas 15% do plano foi implementado. Não foram feitos investimentos significativos no sector desde 2006 devido a uma mudança nas políticas governamentais, aumento das taxas de juro, problemas energéticos e questões de segurança.

Ainda assim, as exportações de têxteis e vestuário do Paquistão aumentaram 45% nos últimos cinco anos (2009 a 2014), para 13,7 mil milhões de dólares, em parte devido aos benefícios concedidos pela União Europeia sob o programa de comércio livre GSP+, que entrou em vigor a 1 de janeiro de 2014. Nos primeiros três trimestres de 2014, as exportações de vestuário do Paquistão para a UE subiram 23% em volume e 27% em valor. Da mesma forma, as importações de vestuário com fibras sintéticas dos EUA a partir do Paquistão aumentaram 26% em valor em 2014.

A indústria têxtil e vestuário é o sector mais importante de produção no Paquistão, dando emprego a cerca de 40% das pessoas que trabalham na indústria, consumindo mais de 40% do crédito bancário e representando um peso superior a 8% no PIB do país. Mas a indústria de vestuário do Paquistão tem falta de produtividade laboral, controlo de qualidade, serviços de manutenção e sistemas de cuidados ambientais. Também precisa de se adaptar aos padrões laborais e ambientais dos EUA e da União Europeia para um crescimento sustentável. Os negócios locais estão, contudo, estão a ser afetados pela má situação do país em termos de segurança, com os investigadores recentemente a atribuir a culpa a gangsters por atearem fogo à fábrica de vestuário Ali Enterprises em Baldia Town, em Karachi, em setembro de 2012, onde morreram mais de 250 pessoas. Recentemente, a empresa canadiana de vestuário de homem Kanati Co foi a segunda grande empresa a retirar a produção do Paquistão, devido às interrupções na produção das encomendas e à instabilidade do país.

A sua decisão surgiu após a Walt Disney ter posto fim, de forma faseada, ao sourcing no país de produtos da marca Disney, tendo afirmado que o Paquistão já não cumpria as suas diretrizes em termos de condições laborais. Também recentemente o grupo chinês Shandong Ruyi Technology Group abortou um acordo para comprar uma quota maioritária na Masood Textile Mills, do Paquistão, uma das poucas empresas do país verticalmente integrada com produção dentro de portas de fio, malha, processamento, estamparia e produção de vestuário. Mas ações mais positivas têm também ocorrido, de acordo com o just-style.com, que cita a criação de um fórum de produtores em dezembro de 2014 para promover a sustentabilidade da indústria têxtil e vestuário do país. Da iniciativa, promovida pelo Governo da Holanda, a International Finance Corporation e a Organização Internacional do Trabalho, fazem parte atualmente 17 marcas, mas são esperadas mais. No final do ano passado foi ainda assinado um acordo para importar energia limpa do Quirguistão e do Tajiquistão.