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Ordem para exportar

Carlos Oliveira, Secretário de Estado do Empreededorismo, Competitividade e Inovação, anunciou no XIII Fórum da Indústria Têxtil, que decorreu na passada quarta-feira, 28 de Setembro, na Alfândega do Porto, uma nova medida para reforçar a internacionalização das empresas: «o aumento da comparticipação em acções internacionais, como a presença em feiras, de 50% para 75%». A medida faz parte de um conjunto de iniciativas do Governo, que Carlos Oliveira enumerou, onde se inclui o prolongamento por 12 meses das linhas PME Invest e uma campanha para promover o consumo de produtos portugueses. «É uma campanha que vamos lançar em breve e que assenta em três pilares: actuar junto dos consumidores; actuar junto das instituições públicas e privadas; e estabelecer uma ligação entre a oferta e a procura, entre a indústria e o comércio e distribuição». Carlos Oliveira fez a sua intervenção após João Costa, presidente da ATP e do Fórum da Indústria Têxtil, que, apesar de se congratular com o progresso das exportações do sector, que nos primeiros sete meses deste ano registaram um crescimento de 11,8% face a igual período do ano passado, apontou algumas medidas necessárias para tornar a Indústria Têxtil e de Vestuário mais competitiva no exterior. «O Governo deverá disponibilizar, com a máxima rapidez, novas e reforçadas linhas do tipo das PME Invest», referiu João Costa, assim como reforçar «os programas de internacionalização, no âmbito do Compete». O presidente da ATP sugeriu ainda mudanças na lei laboral, nomeadamente no despedimento por justa causa e redução das paragens na produção. «Consideramos que a melhoria da competitividade pode ser alcançada pela redução de três ou quatro feriados anuais e pela junção aos fins-de-semana de todos aqueles em que isso lhes não retire o significado, pela reposição do período de férias em 22 dias úteis e, transitoriamente, se necessário, enquanto durar a situação de emergência que o país vive, pelo aumento de duas horas semanais ao horário de trabalho», apontou. Já Daniel Bessa, director-geral da Cotec, sublinhou as dificuldades de financiamento que as empresas vão sentir no futuro próximo. «O que é novo é que o dinheiro acabou. Há sempre uns trocos mas globalmente, para a maioria, o dinheiro acabou em Portugal e dramaticamente. O sector financeiro português tem de fazer uma desalavancagem brutal», explicou Daniel Bessa, que aponta, contudo, uma possível solução: «a minha esperança é que as melhores empresas portuguesas – com um bom balanço e uma conta de resultados que não dependa do mercado interno – consigam financiamento no mercado externo». No fórum, subordinado ao tema “Aumentar Exportações. Exportar Valor. Ganhar Mundo”, foram ainda dadas algumas pistas para o futuro crescimento do sector têxtil e vestuário e da economia em geral. No debate conduzido pelo jornalista Júlio Magalhães, Ana Teresa Lehmann, vice-presidente do CCDR-N, e Eurico Brilhante Dias, administrador-executivo da AICEP, destacaram a necessidade das empresas portuguesas ganharem dimensão e apostarem no conhecimento para conseguirem exportar mais. Manuel Carlos Silva, director-geral da Apiccaps, Alberto Figueiredo, presidente do CA do grupo Impetus, e José Pinheiro, presidente do CA da Mundotêxtil, revelaram o sucesso e as dificuldades na exportação, enquanto Jorge Martins, administrador do BES, referiu que «em 2012, as empresas com bons ratings terão mais facilmente acesso ao crédito; os menos bons terão um apoio mais reduzido ou nulo», concluiu. Neste XIII Fórum da Indústria Têxtil, onde Alfredo Revuelta, da Daemon Quest demonstrou como ser mais eficaz na abordagem aos mercados, Paulo Vaz, director-geral da ATP, fez ainda o retrato do sector. Em 2010, a Indústria Têxtil e de Vestuário contava com 6.996 empresas, responsáveis por dar emprego a 150.929 pessoas e com um volume de negócios de 6.361 milhões de euros, dos quais 3.737 milhões de euros em exportações.