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Ordem para reutilizar desperdícios têxteis

A H&M, a Marks & Spencer, a C&A e a Bershka estão entre as mais de 30 marcas, produtores e recicladores que integram uma iniciativa que visa recolher e reutilizar desperdícios têxteis no Bangladesh.

[©Unplash]

A parceria circular intersectores é liderada pela Global Fashion Agenda (GFA), juntamente com a Reverse Resources, a Bangladesh Garment Manufacturers and Exporters Association (BGMEA) e a P4G, que procuram soluções para o crescimento da economia verde. A longo prazo, o objetivo principal é escalar a transição para um modelo de moda circular.

Lançado em novembro, o projeto promove colaborações comerciais circulares entre as principais marcas de moda, produtoras têxteis e de vestuário e recicladores, para desenvolver e implementar novos sistemas que recolham e coloquem diretamente o desperdício de moda gerado na pós-produção de volta ao fabrico, com vista a originar novos produtos. Além disso, encontrar soluções para o stock excessivo criado pela pandemia é também uma das metas da iniciativa circular.

Em fevereiro e através do Twitter, a Global Fashion Agenda anunciou os participantes do projeto, que envolve marcas internacionais como a Bershka, C&A, Gina Tricot, Grey State, H&M Group, Kmart Australia, Marks & Spencer, OVS, Pull & Bear, Peak Performance e Target Australia. No que diz respeito aos produtores surgem nomes como Amantex, Asrotex Group, Auko-tex Group, Aurum Sweaters, Beximco, Bitopi Group (Tarasima), Composite Knitting Industry Ltd, Crystal International Group Limited, Echotex, Fakir Knitwear, GSM, JM Fabrics, Knit Asia, MAS Intimates, Ratul Group (Knitwear & Fabric), Salek Textiles, S B Knite Composite (Sankura Dyeing and Garments) e Northern Group.

Birla Cellulose, BlockTexx, Cyclo, Infinited Fiber Company, Malek Spinning Mills, Marchi & Fildi Spa, Lenzing AG, Recovertex, Renewcell, Saraz Fibre Tech, Usha Yarns Limited e Worn Again Technologies são os nomes que constam entre os recicladores que integram no projeto de recolha e reutilização de resíduos têxteis no Bangladesh.

Através da colaboração entre os participantes, o consórcio pretende construir um modelo de negócio circular bem-sucedido para adotar processos mais circulares, promovendo a diminuição dos resíduos têxteis e o aumento da utilização de fibras recicladas.

De acordo com a GFA, a iniciativa está focada no Bangladesh, tendo em conta que, indubitavelmente, o país regista uma das maiores procuras por resíduos recicláveis do que qualquer outro país produtor de vestuário, mas a maioria desses desperdícios é exportada ou reciclada. Por conseguinte, existe uma oportunidade significativa para escalar a circularidade no país, a partir da reciclagem dos resíduos têxteis, alimentando, simultaneamente, a resiliência da indústria no futuro.

Espelhar ações

As conclusões do projeto serão publicadas em 2021 no “Circularity Playbook for Bangladesh” de forma às aprendizagens serem utilizadas como um guião para replicar esta prática em outros países, como o Vietname e a Indonésia.

«Para estabelecer um sistema de moda circular precisamos de voltar a imaginar o processo de produção, para que este tenha ciente o valor dos resíduos têxteis», afirma Morten Lehmann, diretor de sustentabilidade da Global Fashion Agenda. «É encorajador ver tantas empresas de prestígio a assinar a parceria e, com a ajuda delas, estou confiante de que poderemos criar um forte modelo de circularidade que poderá ser reproduzido por outros no futuro», revela ao just-style.com.

[©Twitter]
Por seu lado, Miran Ali, diretor da BGMEA, considera que «a economia circular não é apenas um conceito, é o futuro». «A indústria da moda segue, historicamente, o modelo linear de “pegar, fazer, desfazer”, mas agora estamos num momento tão crítico, que não nos podemos dar ao luxo de continuar este modelo linear. Além disso, a procura de vestuário circular está a aumentar e as marcas vêm com promessas nesse sentido, pelo que, como fabricantes, temos de abraçá-las e alinhar-nos com a tendência global. As fábricas do Bangladesh produzem tradicionalmente volumes maiores do mesmo artigo, o que significa que os resíduos são mais normalizados. Por esse motivo, o Bangladesh pode ser um líder global na área da economia circular. Acreditamos que a Circular Fashion Partnership é uma boa plataforma para iniciar a viagem», explica.

«Neste projeto, focamos a nossa atenção em soluções práticas que muitas das melhores tecnologias de reciclagem enfrentam ao procurar resíduos têxteis e usamos a rastreabilidade como uma ferramenta para ajudá-los a reduzir os custos e aumentar a qualidade dos resíduos que geram. Os resíduos de pós-produção são atualmente o fruto mais fácil para apoiar esta indústria de reciclagem emergente para começar a fechar o ciclo em grande escala, enquanto nos preparamos para o desafio ainda maior da circularidade dos resíduos pós-consumo», conclui Ann Runner, CEO da Reverse Resources.