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Orfama com investimentos 3D

A produtora de malhas fully fashion investiu mais de um milhão de euros em nova tecnologia com o objetivo de conseguir apresentar produtos em 3D e facilitar o processo de decisão do cliente. Para a Orfama, a retração do mercado é visível e a China é umas das respostas para contornar a questão.

António Cunha

Oferecer um serviço «consistente de qualidade» é uma das preocupações da empresa sediada em Braga, que está pronta para corresponder às necessidades dos consumidores. «Atualmente, o mercado está muito à procura de sustentabilidade e de inovação, que possam criar no cliente uma mais-valia em termos de conforto, de propriedades térmicas e ao mesmo tempo de design», revela António Cunha, sales area manager da Orfama. «É nesta área que temos vindo a desenvolver as nossas coleções, no sentido de irmos ao encontro do mercado, de forma a conseguirmos responder às exigências dos clientes em termos de moda e de estabilidades das nossas peças. A empresa está preparada há muitos anos para poder corresponder a essas necessidades», explica ao Portugal Têxtil.

A produtora de malhas fully fashion, que trabalha para clientes que «apreciem a qualidade», já incorporou várias matérias-primas sustentáveis do ponto de vista ambiental na composição das peças. «Temos lãs recicladas, caxemiras recicladas, algodões e lãs recicladas com misturas. Isto é o aproveitamento de peças que já andavam no mercado que, por economia circular, acabámos por recuperar essas peças e produzir novas com o fio proveniente de peças que já não eram mais utilizadas. É nesse sentido que estamos a evoluir e o mercado vai evoluir, em termos de economia circular», afirma António Cunha.

Com uma perspetiva futurista, a Orfama criou um produto inovador, que mantém o corpo sempre com a mesma temperatura. «Estamos a trabalhar nas matérias sustentáveis, que é isso que o mercado vai pedir no futuro. Temos um produto que se chama 37,5 e que mantém a temperatura do corpo sempre a 37,5 °C, quer esteja frio ou calor. A mais-valia do produto está no tratamento e no fio que tem determinadas características que fazem com que a temperatura se mantenha constante», adianta.

Mercados e qualidade

Com uma capacidade produtiva anual de 300 mil peças e a pensar no cliente, a empresa, detida pelo grupo francês Montagut Industries, investiu mais de um milhão de euros em nova tecnologia. «Fizemos um investimento grande nos últimos três anos de forma a podermos apresentar aos clientes produtos em 3D. Para facilitar e verem como é que fica aquilo que vão pedir. Trata-se de uma ferramenta que ajuda a decisão do cliente. Estamos preparados para isso e os clientes apreciam o serviço que lhes prestamos», assegura o sales area manager.

Além do regime private label, que representa 50% das vendas, a Orfama trabalha com as marcas próprias Maison Montagut e Poles, que constituem a outra metade das vendas. «Não encontramos nos mercados muitas fábricas que tenham por detrás uma marca e uma fábrica. Nós temos essa vantagem, que pode garantir ao mercado uma qualidade constante porque tudo depende de nós. Essa consistência na qualidade que damos todas as estações aos nossos clientes faz de nós uma marca de referência no mercado», garante.

Apostar nos países em desenvolvimento e na China é uma estratégia da especialista em vestuário de malha para contornar os mercados que enfrentam períodos mais críticos. «Há uma crise acentuada em todos os mercados, mas principalmente na Europa. Tentamos ir para outros mercados, como EUA, Rússia e América Latina, para podermos compensar as “não compras” feitas pela Europa por outros países e regiões que estão em crescimento», admite António Cunha. «A China também é um mercado importante, vai ser cada vez mais, porque tem um poder compra muito acima da média dos europeus. É um mercado muito interessante, que já estamos a explorar», destaca o sales area manager da Orfama.