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Originalidade perde Olimpíadas

A menos de 100 dias para o arranque dos Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro, começaram a ser revelados os equipamentos das equipas dos vários países. Austrália, Coreia do Sul e EUA, entre outros, já o fizeram. Todavia, de acordo com as vozes da indústria, as indumentárias apresentadas não só não conseguem acompanhar o ritmo dos atletas, como mostram um design de moda pouco original e, até, aborrecido.

Dado o estado atual da moda, esta falta de novidade não faz muito sentido, começa por analisar a Quartz. O design de moda tem estado focado em unir o desporto à moda, com a intervenção de grandes nomes do luxo e pesos-pesado do retalho. A tendência é tão popular que a Merriam-Webster fez do termo “athleisure” entrada oficial nos seus dicionários (ver 12 meses de “atheleisure”).

A par disso, a abertura e o encerramento dos Jogos Olímpicos tornaram-se na passerelle mais vista do mundo, levando os países a alistar talentos de alto nível, como Ralph Lauren ou Stella McCartney, para desenharem as indumentárias das suas equipas (ver E que os jogos comecem). No entanto, o contributo dos grandes nomes da indústria da moda tem merecido a crítica de alguns especialistas, que consideram os equipamentos até agora apresentados “aborrecidos”.

Os looks de blazers azul-marinho e calças brancas da Coreia do Sul, por exemplo, foram considerados mais apropriados para um brunch de domingo do que propriamente para uma competição desportiva.

Já os coordenados para a cerimónia de abertura da equipa da Austrália: blazers às riscas brancas e verdes com grandes botões dourados, combinados com saias ou calções brancos e lenços de pescoço ou laços, dependendo se o atleta é mulher ou homem, foram considerados pelas vozes da indústria como “demasiado formais”, lembrando os uniformes da aviação e da marinha nos anos 1980.

De forma geral, na imprensa especializada, as indumentárias foram cunhadas de antiquadas e desprovidas de estilo.

A revista GQ salientou que os equipamentos da Austrália foram inspirados pelos Jogos Olímpicos de Paris 1924, mas que a estética poderia ter sido atualizada.

Ainda assim e a este respeito, as vestes da equipa da Coreia do Sul incluíram uma certa dose de inovação, uma vez que as roupas apresentam propriedades que repelem os mosquitos transmissores do vírus Zika.

A equipa dos EUA também mereceu reprovação, com os equipamentos de encerramento pintados nas cores nacionais que combinam calções com gravatas a substituir cintos, assinados pela Polo Ralph Lauren. Segundo os críticos, a marca limitou-se a aplicar a receita de sucesso que a linha Polo tem servido há décadas.

Distante destas críticas está a Lacoste, que teve mais sucesso com os coordenados minimalistas e funcionais desenhados pelo designer português Felipe Oliveira Baptista para equipa francesa (ver As olimpíadas segundo Baptista).

E, até à data, o kit do Canadá, desenhado pelos irmãos Dan e Dean Caten da marca Dsquared2 e produzido pela Hudson’s Bay, é visto como o mais atual. Os looks propõem blazers corta-vento vermelhos combinados com t-shirts brancas oversized e calças desportivas pretas. O blazer é apresentado como um pouco exagerado, mas o look é visto como desportivo, confortável e atual.

Em última análise, destaca a Quartz, os designers que criam estas peças não têm uma tarefa simples entre mãos. Há vários elementos a considerar, como a identidade nacional e as restrições do Comité Olímpico, pelo que o pendor para o lado conservador não causa particular surpresa. Ainda assim, as roupas podem representar melhor as pessoas que as vestem, ou seja, os melhores atletas do mundo.