A semana da moda de Londres esgotou-se ao fim de cinco dias, mas o número perdura nas cinco grandes tendências para a próxima estação fria observadas nas passerelles da capital britânica.

A rainha da festa

O diretor criativo da Loewe, Jonathan Anderson, olhou para Berlim antes da queda do muro e concebeu uma coleção eclética, inspirada nos anos 80, para a sua marca epónima JW Anderson. Na passerelle destacaram-se os tops e túnicas com ombros e mangas exagerados, assim como as botas em couro de cano alto. «A base de tudo isto é: as meninas divertem-se», afirmou. As gémeas alemãs Daniela e Annette Felder, que formam a dupla Felder Felder, também beberam inspiração em Berlim, desta feita nos anos 60, uma época marcada pelo hedonismo, política e sexo.

Saias curtas esvoaçantes em pele falsa cortada a laser, numa paleta de cores entre o vermelho e o preto, combinadas com tops amarrados no busto, bem como casacos também de pele falsa gastos dominaram o desfile. Na pista de dança de David Koma, o vestido de glitter estilo bola de cristal foi a rainha da festa. O designer georgiano, que veste nomes como Beyonce, Lady Gaga e Kylie Minogue, fecha o primeiro dos cinco lemas desta semana da moda.

Para sempre pelo

A Topshop apresentou estolas, punhos e casacos de pelo na sua coleção Unique, que pela primeira vez levou a sua assinatura da look urbano para o campo, com vestidos de estampados florais. A designer sérvia Roksanda propôs casacos, coletes e cintos de pelo em cores ácidas e saias de cintura fina combinadas com clutches em pelo azul ou laranja. Também houve pelo nas clutches da Hunter Original, celebrizada pelas suas famosas galochas, e nos seus casacos exibidos em manequins que caminhavam por uma passerelle entre duas cascatas de água.

Por sua vez, a casa de luxo Mulberry usou cardos secos para pentear a lã, conferindo-lhe uma aparência e um toque de pelo. As plantas estão atadas à volta de uma coluna rotativa numa máquina e quando a lã é aí colocada «as fibras são extraídas e alongadas para criar uma textura tipo pelo», explicou a designer de knitwear, Jade Leong, à AFP.

Joelhos escondidos

Embora o hedonismo dominasse em outros lugares da passerelle, a saia por cima do joelho está em voga. Esta temporada também viu o seu primo mais prático tomar o centro do palco – a calça de patas de elefante foi vista tanto dentro como fora da passerelle A Burberry fez desfilar saias pelo joelho floridas e a Roksanda propôs uma versão de linha “A” mais estruturada, com padrões geométricos em laranja, roxo, rosa, azul e dourado. O estilo elegante e formal de Emilia Wickstead – tão apreciada pela Duquesa de Cambridge – espelhou-se em saias de tons pastel e calças com cinto que terminam abaixo do joelho, enquanto o designer britânico Paul Smith combinou as suas calças largas com blazers masculinos.

O bem-amado preto

O designer britânico Gareth Pugh recriou em preto um lugar muito seu, com designs esculturais, altamente conceituais, esta estação construídos à volta do tema de um exército-modelo. Mas o preto também foi o eleito de outros nomes em Londres – como foi o caso do consagrado Julien Macdonald, que enfaticamente explicou: «o preto é uma cor. As mulheres gostam de vestir preto.

Eu não gosto do azul-marinho, gosto do preto». O designer britânico Giles usou esta cor em vestidos românticos e góticos, enquanto a estrela em ascensão, Simone Rocha, a utilizou em tecidos ricos moldados em grandes pétalas, de tops e saias de veludo, capas inspiradas na tapeçaria, ou em delicadas sedas e tules bordados. David Koma desfilou vestidos pretos de divertidos punhos e fechos à frente, com uma forte aposta no couro. Já a marca australiana Sass & Bide – também adorada pelas celebridades – privilegiou o look preto, couro e metálico.

Sem falhas

A designer grega Mary Katrantzou escolheu um conceito denominado “horror vacui”, ou medo de espaços vazios, para explicar os seus ricos coordenados texturizados, que contrastou com vestidos sem costuras e minimalistas. A Burberry Prorsum também empregou uma grande variedade de técnicas em vestidos e casacos com patchwork de estampados e cores outonais fortes. Houve também um efeito patchwork nas camisas, saias e casacos da Preen, assim como estampados florais.