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Os benefícios da roupa circular

A economia circular não é positiva apenas para o planeta, mas também para as empresas, segundo um novo relatório da Fashion for Good e da Accenture Strategy, que garante que modelos económicos circulares podem conduzir a margens mais elevadas para as marcas e retalhistas.

O estudo “The Future of Circular Fashion: Assessing the Viability of Circular Business Models” explora as estimativas de crescimento de três tipos de modelos de negócio circulares: o aluguer por peça, os alugueres por subscrições mensais que dão acesso a um determinado número de peças e, por último, as revendas (também conhecido como recommerce). A análise é feita tendo em conta os vários segmentos, desde o de baixo custo ao luxo, passando pelo intermédio e pelo premium.

Segundo o relatório, os três modelos representam oportunidades de obter margens mais altas por peça, quando comparadas com as margens dos modelos lineares. Apesar de o aluguer por peça ser considerado «muito atrativo» para os segmentos de gama alta e o aluguer por subscrição mensal ter «um forte potencial», o modelo de revenda é o mais atrativo financeiramente. Entre segmentos, o luxo é o que poderá beneficiar mais da economia circular, enquanto os custos variáveis associados a cada modelo tornam o cenário para o segmento de baixo custo «desafiante».

No caso dos segmentos intermédio e premium, a viabilidade financeira parece depender em alguns fatores. Para o aluguer de peças, a viabilidade do negócio varia consoante o número de alugueres e o preço do aluguer, dos portes e do embalamento. Para o aluguer por subscrição mensal, o custo de aquisição para os consumidores e o número de trocas de peças pode afetar as margens de lucro. Em relação às revendas, os custos de aquisição de inventário, o preço de revenda e as questões logísticas podem tanto garantir como impedir o sucesso.

De acordo com o documento, os modelos de negócio circulares podem potenciar o envolvimento e a lealdade dos clientes. Além disso, analisar os dados da utilização dos produtos pode também beneficiar os modelos de negócio circulares em relação ao retalho tradicional.

Do ponto de vista ambiental, é inegável que os modelos de negócio circulares são positivos. «Cada um dos modelos tem o potencial de mudar a indústria da moda. Pode mudar do foco atual, que é na quantidade, para uma aposta na qualidade, onde a durabilidade das peças e o número de utilizações pode tornar-se essencial para a viabilidade das empresas», pode ler-se no estudo. Estes benefícios, contudo, não estão garantidos. Para assegurar estss vantagens ambientais, os modelos de negócio devem ser desenhados com «um foco explícito na sustentabilidade», acrescenta.

«Acreditamos que este estudo pode impulsionar a implementação de modelos circulares e motivar a necessária discussão sobre este tema», afirma Katrin Ley, diretora geral da Fashion for Good, citada pelo just-style.com. Já o diretor-geral da Accenture Strategy, Harry Morrison, considera que, numa altura em que os consumidores compram cada vez mais de marcas que defendam os seus valores, particularmente em questões sociais e ambientais, é «imperativo» que os retalhistas tomem medidas para criar uma indústria mais sustentável.

O manifesto

Alterar o atual sistema para um modelo onde os recursos são continuamente reutilizados é também uma preocupação de cinco associações internacionais, que se uniram para apelar aos decisores políticos da União Europeia para acelerarem a transição para economia circular na indústria têxtil. A European Apparel and Textile Confederation (EURATEX), a Federação da Indústria Europeia de Artigos de Desporto, a Global Fashion Agenda, a Federação Internacional de Vestuário e a Sustainable Apparel Coalition lançaram um manifesto a pedir uma «colaboração urgente» para combater o desperdício na moda.

Eva Kruse

No manifesto, as associações apontam que a indústria deve adotar novas soluções, tecnologicamente inovadoras. Além do mais, exigem «medidas políticas revolucionárias», adaptáveis a várias empresas, tanto a multinacionais como a pequenas empresas, e, ainda, medidas para motivar os consumidores a repensarem a forma como usam e descartam as peças de roupa.

«Esta manifesto é extremamente importante já que é a primeira vez que tantas organizações na indústria da moda se unem para trabalhar com decisores políticos numa abordagem única à circularidade», reconheceu Eva Kruse, presidente e CEO da GFA, na Copenhagen Fashion Summit. «Se não agirmos agora para encontrar uma solução, o nosso planeta irá piorar muito. É urgente ampliar a colaboração entre a indústria e os decisores políticos para criar soluções que tenha impacto. Espero que este manifesto ajude a impulsionar uma mudança a grande escala», admitiu.