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Os custos do nome Asos

A retalhista britânica de moda online foi recentemente forçada a pagar mais de 20 milhões de libras para continuar a usar o seu nome e a expandir o leque de produtos. Em causa está a alegada violação das marcas registadas em nome de duas retalhistas europeias – a suíça Assos e a alemã Anson.

A Asos chegou recentemente a acordo com a retalhista suíça de artigos de ciclismo Assos – uma das marcas em destaque nos Jogos Olímpicos Rio 2016 (ver Vestuário que vale medalhas) – e com a alemã Anson, uma retalhista de moda masculina alemã, depois de pagar um total de 20,2 milhões de libras (aproximadamente 24,1 milhões de euros) às duas empresas, adianta o jornal The Guardian.

O acordo permitirá, por exemplo, que a Asos comece a vender leisurewear de desporto, um segmento crescente junto dos consumidores mais jovens (ver A chegada da leisurée).

No entanto, a retalhista britânica será impedida de vender vestuário de ciclismo ou de abrir lojas na Alemanha.

Os media especializados recordam que a Assos e a Anson já operavam quando a Asos se rebatizou, abandonando o nome As Seen on Screen, em 2002.

A Anson apresentou uma ação judicial logo em 2010 e a Assos – que este ano vai abrir portas à primeira loja fora da Suíça, em Londres – apresentou a sua em 2011, numa altura em que a Asos começava a expandir-se rapidamente fora dos limites do Reino Unido.

A empresa britânica tinha defendido com sucesso o seu caso no Reino Unido até ao supremo tribunal. No entanto, existem casos pendentes nos EUA, França e Alemanha.

Apesar do pagamento, que é igual a quase seis meses de lucro para a Asos, as ações da empresa subiram 3%, para 46,94 libras.

Nick Beighton, presidente-executivo da Asos, disse em comunicado: «Estamos satisfeitos por ter colocado este litígio para trás das costas. Entrar neste acordo, neste momento, é a decisão comercial certa para o nosso negócio».

A Asos já se havia envolvido em disputas de marca registada com retalhistas rivais, mas estas tenderam a resumir-se a acusações de que a retalhista online roubara o design de uma peça individual de vestuário.

A empresa sublinhou que não houve, até à data, casos de propriedade intelectual que tivessem impacto material nas suas finanças.

«O direito de propriedade intelectual é muito complexo e varia significativamente de país para país. A Asos não poderia, portanto, garantir que iria ganhar todos os casos em todos os mercados e, como tal, decidiu resolver os litígios», elucidam os analistas do Berenberg ao The Guardian.

Simon Bowler, analista da Exane, acrescenta que «ainda que a Asos se tenha defendido com sucesso até agora, não havia nenhuma certeza de que seria bem-sucedida nesses mercados. Perder um caso em qualquer um destes mercados forçaria a Asos ao rebranding», o que seria um risco significativo para a retalhista.

Em última análise, o pagamento de 20 milhões de libras é visto como uma decisão comercial certa para os negócios da empresa a longo prazo.

A posição adotada pela retalhista online «elimina qualquer risco adicional de litígio nos mercados da Asos» e o acordo permitirá que esta «ingresse no atraente mercado athleisure», continuam os analistas da Exane.

Para o RBC Capital Markets, o valor pago também perde importância face à possibilidade de crescimento no segmento desportivo. «O sportswear, particularmente o vestuário de ioga, ginástica e golfe, pode apresentar uma interessante quota de mercado para a Asos, considerando a sua cliente mais jovem e o crescimento que temos visto no mercado de sportswear premium», concluem os analistas do RBC Capital Markets.