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Os desafios da cadeia de aprovisionamento

Segundo um estudo da transportadora DHL, as incertezas em relação aos fluxos comerciais, os problemas relacionados com a segurança informática e as alterações climáticas estiveram entre os principais desafios que o sourcing mundial enfrentou no ano passado.

O primeiro relatório anual “First Resilience360 Risk Report”, da DHL, revela que, em 2018, os principais fatores que prejudicaram a cadeia de aprovisionamento mundial estiveram relacionados com questões climáticas, que afetaram o transporte de mercadorias, um número de ataques informáticos acima do esperado, que tiveram como alvo os artigos da cadeia de aprovisionamento e, ainda, paralisações em zonas industriais, que prejudicaram a atividade produtiva.

O relatório, baseado em dados de riscos de incidentes, recolhidos pela plataforma de gestão Resilience360, da DHL, examinou os principais desafios da cadeia de aprovisionamento e identificou as tendências que irão moldar o cenário de incertezas em 2019. De acordo com a plataforma, as perturbações na rede produtiva e a escassez de matérias-primas estarão entre os principais riscos que os produtores de têxteis, vestuário e calçado deverão enfrentar ao longo do corrente ano.

«A avaliação de riscos e a crescente resiliência da cadeia de aprovisionamento é uma parte crucial do negócio dos nossos clientes. Onde quer que operem, a informação presente no relatório facilitará uma reavaliação dos respetivos riscos e, deste modo, complementará a atual oferta do Resilience360», afirma Tobias Larsson, CEO da Resilience360.

O relatório mostra que os três principais riscos que assolaram a cadeia de aprovisionamento mundial foram as incertezas em relação aos fluxos comerciais, incidentes relacionados com a segurança informática e as alterações climáticas.

Clima de incerteza

O relatório revela que a incerteza aumentou devido à guerra comercial entre os EUA e outros países, nomeadamente a China, com a implementação de taxas de importação unilaterais. Além disso, a questão da saída do Reino Unido da União Europeia também contribuiu para o clima de incerteza, com as empresas preocupadas com o congestionamento nas fronteiras e atrasos portuários.

Segurança informática

No domínio da segurança informática, houve um crescente número de incidentes que envolveram a cadeia de aprovisionamento e as infraestruturas de transportes, o que, segundo o relatório, revela que os ataques têm como objetivo a obtenção de segredos comerciais, envolvendo chantagens e causando perturbações económicas.

O impacto climático

De igual modo, as alterações climáticas provocaram um conjunto de graves perturbações em 2018, considerado o quarto ano mais quente de que há registo. Incêndios, secas, baixo nível da água e degelo foram os fatores que tiveram o impacto mais significativo na cadeia de aprovisionamento mundial, aponta a Resiliente 360.

Enquanto a América do Norte registou, em 2018, menos desastres e incidentes relacionados com as alterações climáticas do que no ano anterior, a região Ásia Pacífico sofreu oito fraturantes tempestades tropicais, que causaram perturbações significativas no sourcing no Japão, China, Coreia do Sul, Taiwan e Filipinas.

Roubos de cargas e protestos

Na Europa, o Resilience360 registou o maior número de incidentes na Alemanha, seguida do Reino Unido, com dois terços das ocorrências originadas por roubos de mercadoria, incêndios industriais, explosões e, ainda, acidentes de comboio. Os incidentes nos transportes em terra e no ar representaram 44,7% do total de ocorrências. A agitação social representou a segunda maior proporção de acontecimentos, com 12,9%.

Protestos relacionados com o Dia do Trabalhador, a 1 de maio, e os Coletes Amarelos, em França e na Bélgica, afetaram autoestradas, portos, a passagem de fronteiras e estradas de acesso a áreas industriais.

Nos EUA, apesar das melhorias no policiamento e do reforço das medidas de segurança, que contribuíram para a redução de roubos de carga em 2018, regiões com grande importância para a área da logística, como Los Angeles, Long Beach, New York, New Jersey, Chicago, Detroit, Memphis, Atlanta e Miami verificaram altas taxas de incidentes de roubos de mercadorias.

A escassez de matérias-primas

Além das tensões políticas que afetaram o clima negocial em 2018, as empresas poderão ainda ter custos adicionais e sentir uma maior incerteza devido à escassez de matérias-primas ou à maior rigidez nas regulamentações ambientais. O aumento da procura, combinado com a fragilidade da cadeia de aprovisionamento, causada pela instabilidade política e por paralisações, podem resultar numa maior escassez de matérias-primas, segundo a DHL.

A reduzida oferta de adiponitrila, um ingrediente chave para matérias-primas como a poliamida, poderá ter impacto no sector têxtil. A empresa norte-americana Invista é uma das maiores fornecedoras e a falta tem sido impulsionada por problemas operacionais e paralisações, refere o relatório.

Também a afetar o sector estão perturbações na indústria da reciclagem. Outros países no Sudeste Asiático poderão seguir o exemplo da China ao fecharem portas a importações de sucata, que inclui plásticos usados para fazer poliéster reciclado.

Acrescente-se que as empresas dependentes das rotas EUA – México e União Europeia – Reino Unido terão, provavelmente, um aumento nos custos e nos tempos de espera na travessia de fronteiras. «As cadeias de aprovisionamento modernas são frágeis. Atrasos nos transportes, roubos, desastres naturais, condições climáticas adversas, ataques à segurança informática e problemas inesperados de qualidade podem perturbar os fluxos, criando custos adicionais a curto prazo e desafios nas entregas» revela Shehrina Kamal, diretora risk intelligence da Resilience360.