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Os desafios da Gucci

Numa teleconferência com jornalistas, o diretor financeiro da Kering, Jean-Marc Duplaix revelou que as vendas da Gucci na China ainda estavam em declínio, sem fornecer números. No entanto, Duplaix afirmou que «as tendências estão a melhorar». Em relação ao sul da Europa, uma região afetada há vários anos pela quebra na procura por parte dos consumidores, o vice-presidente da Kering, Jean-François Palus, referiu que o desempenho estava a estabilizar. «Vemos uma estabilização nos países do Mediterrâneo, particularmente em Itália, e uma melhoria significativa em Espanha e Portugal», explicou Palus, acrescentando prever que a França será um dos mais «complicados mercados em 2014», devido à sua economia débil. O grupo Kering indicou ter notado uma queda na procura dos clientes russos e ucranianos, devido à crise geopolítica na Ucrânia, mas ressaltou que os clientes destes países representam apenas 4% das vendas totais. No entanto, divulgou mais tarde que a Brioni estava mais exposta, com os russos a representarem mais de 20% dos clientes. A Gucci ainda realiza mais de 20% do seu volume de negócios a partir dos compradores grossistas, cujo contributo para as vendas comparáveis caiu 19% no primeiro trimestre, depois do encerramento de algumas contas com lojas grandes armazéns. A receita de lojas operadas diretamente subiu 6% numa base de igual número de lojas. «Os números estão amplamente em linha com as expectativas, mas parece que a Louis Vuitton está mais à frente no trajeto de transformação do que a Gucci», considera um analista de bens de luxo com sede em Londres. A Gucci, que já viu as suas vendas permanecerem inalteradas no quarto trimestre, continuou a registar um desempenho pior do que a rival Louis Vuitton, detida pelo líder do sector do luxo, a LVMH, que no primeiro trimestre conheceu um aumento de cerca de 9% nas vendas comparáveis. Já a a britânica Burberry apresentou um expressivo crescimento da receita nos primeiros meses do ano, impulsionado pela forte procura na Ásia. No geral, as vendas totais de luxo trimestrais da Kering subiram 6,3% para 1,6 mil milhões de euros, enquanto a receita da marca de desporto Puma caiu 0,4% numa base comparável. As vendas da marca desportiva vêm a cair há vários trimestres, afetadas pela fraca procura na Europa, o seu maior mercado, enquanto a sua estratégia de renovar a marca e introduzir novas sapatilhas de corrida mais técnicas está a demorar para produzir resultados. «Este é um processo em curso», sustentou Palus numa teleconferência com investidores sobre as vendas do primeiro trimestre do grupo. «Vamos lançar novos produtos, mas a maioria destes novos produtos aparecerá no próximo ano», acrescentou. Palus revelou ainda que a Kering só regressará às aquisições no sector de desporto e lifestyle quando a Puma tiver recuperado. A Kering, que no ano passado alterou o nome de PPR (Pinault Printemps La Redoute) para distanciar-se do seu passado no retalho, também anunciou uma reorganização das atividades no luxo, com a criação de três divisões para melhor gerir as suas marcas. A primeira divisão, designada “Luxury, Couture & Leather”, irá agrupar todas as marcas de moda exceto a Gucci e será liderada por Marco Bizzarri, presidente executivo da Bottega Veneta. A Gucci permanecerá sob o comando de Patrizio di Marco e supervisão direta de Francois-Henri Pinault, presidente-executivo da Kering. A terceira divisão de luxo abarcará os relógios e as joias e será liderada por Albert Bensoussan, um veterano da LVMH que liderou a incursão da Louis Vuitton na relojoaria e joalharia entre 2003 e 2010.