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Os desafios da ITV europeia

Nos bastidores do Fashion SVP em Londres, que decorreu em setembro, um porta-voz do fabricante romeno de vestuário Fashions Katty afirmou que «a maioria dos clientes quer preços muito baratos para [produtos] de alta qualidade» – este é o problema para muitos fornecedores de têxteis e vestuário da Europa. Segundo Sharon Osborne, gerente de contas de clientes na Premier Drapers, que produz roupas para senhora e criança nas suas instalações em Leicestershire, no Reino Unido, a obtenção de um preço razoável para um produto é a questão mais difícil no momento. De igual forma, Emir Eskinazi, diretor de produção da Eco Smart Denim, produtora de vestuário com sede na Turquia, observou que, apesar de o país ainda ser um centro privilegiado para a produção de marcas europeias, «tem que ser suportado pelos compradores e pelas marcas, de outra forma o nosso negócio é muito arriscado». A empresa, que produz 250 mil peças por mês, está à procura de clientes no Reino Unido para expandir o negócio. «O preço é o principal desafio para nós agora no mercado do Reino Unido, mas estamos à procura de oportunidades», revelou Eskinazi. O fabricante tunisino de vestuário de senhora Malle Concept International partilha uma visão semelhante. O diretor de marketing David Rodriguez explicou que «o preço é um dos maiores desafios e, ao mesmo tempo, estamos a falar de sustentabilidade e de como podemos melhorar, mas a sustentabilidade é muito cara». Rodriguez afirmou que é mais dispendioso instalar painéis solares do que comprar eletricidade de uma empresa local. Mas, ao mesmo tempo, o aumento dos preços na China representa uma oportunidade para a Malle Concept. «Vemos muitos clientes na Europa a começarem a entrar em contato connosco, na medida em que a China é muito cara», revelou. Rodriguez acrescentou ainda que «estamos agora a vender mais encomendas, por isso precisamos de mais funcionários». A Malle Concept não é a única empresa a investir para o futuro. Abdul Surtee, diretor da Sequin Designs, produtora de vestuário sediada no Reino Unido, considera que o governo «precisa fazer muito mais na indústria». A moda é uma grande indústria no Reino Unido, referiu, acrescentando que é uma área que precisa de ser impulsionada. A empresa, que produz 60 a 70 mil peças de vestuário por mês, está a contratar trabalhadores e a investir na formação. A fornecedora de vestuário Fashionwear Manufacturers, que possui duas fábricas, uma no Reino Unido e outra na Tunísia, também está a investir em recurss humanos e tecnológicos. «Como empresa, sempre investimos fortemente em máquinas, pois as ferramentas são o negócio e as pessoas também», indicou o diretor da empresa, Bhav Mandalia. A Fashionwear, que produz 500 peças por semana na sua fábrica do Reino Unido, está a planear iniciar uma pequena academia para incentivar os jovens a terem uma carreira na indústria e reter competências. Com algumas marcas e retalhistas a deslocar parte das suas fontes de aprovisionamento para mais perto de casa, estas empresas esperam que os investimentos que estão a fazer irão beneficiar com essa tendência. Mandalia revelou que está a registar uma procura crescente por parte dos retalhistas, o que não apenas ajuda o Reino Unido e as indústrias europeias, mas também beneficia os prazos de entrega mais rápidos. Enquanto isso, a Premier Drapers espera que o impulso “Made in the UK” continue a crescer e «vai apoiar a produção no Reino Unido», afirmou Osborne. «Do nosso ponto de vista, gostaríamos de ver mais clientes à procura de fabricantes do Reino Unido», explicou. «Existem vantagens com a fabricação no Reino Unido, sendo os prazos de entrega a maior destas», apontou.