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Os desafios da ITV no Bangladesh

As melhorias no cumprimento dos padrões internacionais e a criação de uma zona independente para a produção têxtil são, segundo um novo estudo, passos essenciais que a indústria do Bangladesh tem de dar se quiser assegurar o crescimento sustentável das suas exportações de vestuário.

Embora o Bangladesh tenha feito um bom progresso na resposta às horas excessivas de trabalho e à eliminação do trabalho infantil, o sector de pronto-a-vestir do país provou que o cumprimento ainda não é transversal a muitas áreas da indústria de vestuário do país, de acordo com um estudo do Copenhagen Consensus Centre.

Em particular, o documento destaca problemas relacionados com a segurança estrutural e em caso de incêndio. Nos últimos 10 anos, mais de 2.000 trabalhadores morreram em incêndios na indústria do vestuário no Bangladesh.

«É fundamental responder às questões relacionadas com o cumprimento, como melhorar a segurança no local de trabalho para todos, melhorar as instalações de saúde, regularidade em pagamentos para os que estão na indústria de pronto-a-vestir», aponta o estudo. «Estas iniciativas deverão ter um impacto significativo no aumento da produtividade e na manutenção da competitividade da indústria. Como tal, a competitividade da indústria depende agora muito de assegurar o cumprimento na perspetiva no curto e médio prazo», refere.

O sector do vestuário continua a ser a principal fonte de exportações para o Bangladesh, representando mais de três-quartos (84,5%) do volume de negócios das exportações, e emprega cerca de 4 milhões de pessoas. As exportações no último ano fiscal do Bangladesh, que terminou em junho de 2016, atingiram um valor recorde de 34,24 mil milhões de dólares (cerca de 32,1 mil milhões de euros), mais 9,7% do que no ano anterior, graças a um forte crescimento nos envios de vestuário. O país impôs como objetivo atingir 50 mil milhões de dólares em exportações de vestuário até 2021.

No primeiro semestre do atual ano fiscal, o sector do vestuário registou um crescimento de 4,4% das exportações, para 13,7 mil milhões de dólares.

Segundo o estudo, a procura de vestuário mundial irá permitir aumentar as exportações do sector em termos globais de 1,1 biliões de dólares em 2012 para 2,1 biliões de dólares em 2025. «Este espaço vai trazer oportunidades para países exportadores como a Índia, Bangladesh, Paquistão e Vietname», detalham os autores do estudo. «Para o Bangladesh, perceber este potencial e as oportunidades exige um crescimento sustentável da indústria e a resposta a grandes problemas como a falta de cumprimento, competitividade, capacidade de utilização e crescimento, infraestruturas desadequadas e falta de eletricidade. Contudo, estas exigência terão, presumivelmente, de ser atacadas e priorizadas», acrescentam.

Uma das propostas dos economistas é criar uma Palli, uma “aldeia” ou zona especial para a produção de vestuário. Esta área seria essencialmente um parque industrial, com amplas infraestruturas para fábricas e formas diretas de monitorizar o cumprimento de padrões internacionais, permitindo que as empresas produzissem pronto-a-vestir de forma eficiente e segura.

Uma zona independente permitiria que as empresas se juntassem numa única localização, reduzindo assim os custos de produção, possibilitando a simples transferência de conhecimento e tecnologias e tornando mais fácil mitigar a poluição.

Um acordo assinado entre a Associação de Produtores e Exportadores de Vestuário do Paquistão e a empresa Chinese Oriental International Holding Limited resultou na publicação de um estudo ambiental e de viabilidade para uma Palli de vestuário para 250 fábricas, empregando 300 mil pessoas e incluindo serviços de apoio, instalações médicas, unidades de tratamento de resíduos, creches e outras infraestruturas semelhantes. Os ganhos potenciais com as exportações na zona estão estimados em cerca de 3,94 mil milhões de dólares.

O estudo também adverte que se o Bangladesh quiser manter o crescimento sustentável da sua indústria de vestuário tem de manter uma série de parâmetros de cumprimento estabelecidos por entidades como a Alliance for Bangladesh Worker Safety e o Acordo sobre Segurança na Construção e Incêndios no Bangladesh.

Os dados do estudo mostram que um melhor cumprimento resulta numa taxa de retorno sobre o investimento inicial 86,32% mais alta. A diferença no investimento inicial entre as fábricas que cumprem e as que não cumprem é de cerca de 0,16 milhões de dólares, enquanto a média anual do volume de negócios é 0,2 milhões de dólares mais elevada do que nas fábricas que não cumprem.

«O sector do pronto-a-vestir é a espinha dorsal do sector de produção do Bangladesh e com investimentos inteligentes, a indústria pode fazer ainda mais progressos no futuro», afirma Bjorn Lomborg, presidente do Copenhagen Consensus Center.