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Os desígnios de Birla

O grupo indiano Birla acaba de encetar um ambicioso programa de expansão que permitirá aumentar significativamente a sua capacidade de produção de fibras na Tailândia, Indonésia e China nos próximos 18 meses.

Fundado em 1947 – o ano da independência da Índia –, o grupo Birla é o segundo maior grupo industrial do país, com um volume de negócios anual na ordem dos 5,5 mil milhões de dólares. Sedeado em Mumbai, o grupo possui 70 fábricas e emprega 10.000 pessoas em 8 países. As suas principais actividades de produção incluem as fibras de viscose, cimento, metais (alumínio e cobre) e preto de carbono.

O negócio do grupo Birla nas fibras de viscose iniciou-se em 1954 com a Grasim Industries. Hoje, o grupo é proprietário de 3 unidades de produção na Índia, que fornecem o mercado local e alguns clientes além-fronteiras, além de 2 fábricas na Tailândia e Indonésia. No total, a sua capacidade de produção ultrapassa as 400.000 toneladas por ano, tornando-o assim o maior produtor do mundo, com cerca de 25% da capacidade de produção global.

«Na Índia, 95% da nossa produção destina-se ao mercado local», explica S. K. Varshney, assistente do vice-presidente da Birla Viscose International, uma divisão da Thai Rayon. «Há alguma exportação indirecta em fio ou tecido. No entanto, os não-tecidos estão ainda no seu estádio inicial na Índia – existindo apenas por ligação química e mecânica».

A Birla Viscose International foi formada em 2000 como uma divisão da Thai Rayon, com o objectivo de entrar no mercado global dos materiais não-tecidos. À medida que a indústria dos materiais não-tecidos se convertia no âmago das actividades de vendas, a estratégia da empresa passou da concentração em negócios de encomendas para os contractos de fornecimento a longo prazo.

A Thai Rayon produz cloro livre, zinco livre e fibras anti-bacterianas utilizadas pela indústria de não-tecidos para fabricar produtos destinados aos sectores da medicina e da higiene, assim como da cosmética e do cuidado pessoal. Algumas fibras são ainda utilizadas na produção de geotêxteis e de produtos aplicados na filtração e no automóvel.

A Birla Viscose Internacional tem como principais clientes a Freudenberg, a DuPont e a BBA. Os seus mercados incluem a China, Austrália, Coreia, Israel, Itália, México, EUA e Turquia.

A estratégia de desenvolvimento da unidade de negócios de não-tecidos envolverá a expansão da fábrica da Indonésia, onde uma nova linha de produção deverá entrar em funcionamento antes do final do corrente ano. «A nossa fábrica da Indonésia tem destinado a sua produção de viscose para aplicações têxteis convencionais. Mas quando percebemos que muitas linhas de não-tecidos estavam a ser implantadas na China, Turquia e Egipto, decidimos então instalar a nossa mais recente linha de produção na Indonésia», declara S. K. Varshney. «A flexibilidade de produção na Indonésia permitir-nos-á deslocar algumas unidades de negócios de não-tecidos da Thai Rayon para a Indonésia». A nova linha terá uma capacidade de produção de 20.000 toneladas por ano. «A unidade indonésia produzirá não-tecidosspunlace para produtos como toalhetes para uso doméstico, cuidados médicos e de bebés», revela S. K. Varshney.

O laboratório de I&D da Birla na Índia já apoia as actividades das fábricas Thai Rayon e na Indonésia, além de todas as unidades do grupo no país. «A produção de viscose não é uma indústria fácil. Com efeito,temos vindo a assistir ao encerramento de muitas fábricas na Europa, EUA e Japão», sublinha S. K. Varshney. «Somente aquelas com competências na produção e equipamento que proteja o meio ambiente sobrevivem. Todas as nossas empresas são certificadas ISO 9002, e o tratamento dos efluentes tem sido uma das áreas onde temos efectuado grandes investimentos».

O grupo está também a planear a implantação de uma fábrica na China ainda no corrente ano, provavelmente em Xangai, para responder à crescente procura local de fibras de viscose. «Hoje, não existe ainda na China uma produção de não-tecidos de boa qualidade», sustenta S. K. Varshney. «Depois de termos procurado diferenciar os nossos produtos, chegou o momento de exportá-los. Não queremos produzir bens de primeira necessidade, mas sim produtos de alta qualidade em não-tecidos».