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Os espanhóis consomem cultura portuense

Ao contrário dos portuenses que não deixam escapar a oportunidade de dar uma escapadela a Vigo para fazer as suas compras, os espanhóis não se mostram tão incentivados, e segundo alguns comerciantes da baixa portuense contactados pelo DN, são mesmo dos clientes que menos compram. Os hábitos consumistas dos nortenhos levam a que estes se desloquem à Galiza, que ficou bem mais perto depois do alargamento da A3 até Vigo, para fazerem as suas compras de bens alimentares ou de pronto-a-vestir. Já os nuestros hermanos acabam por vir à Capital da Cultura para consumir aquilo que eles não têm, já que a taxa de câmbio de pesetas não é lucrativa noutro tipo de produtos. Assim, os espanhóis acabam por procurar essencialmente ouro e prata tradicional portuguesa, não esquecendo, a boa comida que se oferece na região ribeirinha da Invicta. Os comerciantes portuenses preferem os turistas alemães e americanos que chegam com os bolsos recheados e prontos a despender largas quantias em comida ou mesmo acessórios, já os espanhóis só fazem compras “caso se esqueçam da escova de dentes ou do dentífrico”. Mas, há uma razão mais forte que os traz ao norte de Portugal, para além da prata e da boa comida, a cultura é um dos poucos “bens de consumo” que traz clientes do outro lado da fronteira. A publicidade ao “Porto Capital da Cultura 20001” chegou à região espanhola em grande força, principalmente junto de agências de viagem e comunicação social, daí que muitos espanhóis aproveitem os seus fins de semana para assistir a um dos espectáculos únicos cm os quais a cidade Invicta nos tem brindado.